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Instapoetas: Trilha de Letras revela como tecnologia e internet influenciam a literatura

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Divulgação TV Brasil
A internet tem sua própria linguagem e não poderia deixar de influenciar a escrita e a literatura contemporâneas. Para debater esse tema, o Trilha de Letras, da TV Brasil, recebe nesta terça (9), às 23h30, o instapoeta Rafa Lima, que também é escritor e tem livro publicado, para um papo com a apresentadora Katy Navarro no estúdio do canal.

O programa destaca como os internautas utilizam as redes sociais para revisitar a poesia e criar um novo formato para os versos: os instapoemas. Essa edição inédita da produção literária da emissora pública mostra como a tecnologia pode ser uma aliada dos autores.

Caracterizado pelos textos curtos e impactantes, os instapoemas apresentam versos fortes de relato pessoal muito voltados para o público jovem. Com um celular na mão, Rafa Lima explica esse conceito que combina cultura e tecnologia. "O instapoeta é um escritor que utiliza as redes sociais, notadamente o Instagram, para produzir conteúdo literário", analisa.

Para o convidado, as redes sociais impõem novas métricas para os autores. "O grande desafio de quem escreve poesia nas redes sociais é conseguir sintetizar uma ideia. A gente fala que se a pessoa tiver que perder mais de um minuto para ler um 'card', uma imagem sua com versos, ela não lê", define Rafa Lima.

Segundo o instapoeta, o ritmo acelerado do mundo contemporâneo afeta esse processo de leitura. "As pessoas estão sempre correndo. A dinâmica da rede social é você 'passar pra cima'. Se o texto não for pequeno e não tiver significado suficiente para fazer uma pessoa parar, eel passa despercebido", afirma.

O ritmo da poesia ganha novas propriedades na visão do convidado. "A construção dos versos quando se escreve nas redes sociais utiliza uma linguagem que explora a imagem", ensina Rafa Lima.

"O autor se apropria do lugar da imagem para colocar palavras. As palavras estão ali de intrusas porque uma rede como o Instagram foi criada para imagens. A construção dos versos não é tradicional. A gente tem que abandonar a rítmica do verso que é uma característica natural da poesia", sugere.

Esse texto curto e fragmentado é assunto para o depoimento do instapoeta Zack Magiezi que comenta no Trilha de Letras como o público se comunica com esse tipo de texto. Ele avalia também se em tempos de internet há falta de paciência com produções textuais mais longas.

No quadro "Leituras", a produtora Maíra de Assis comenta os livros "Textos cruéis demais para serem lidos rapidamente", do coletivo de escritores chamado TCD. Ela também aborda a publicação "O livro de ressignificados" de João Doederlein, o Aka Poeta.

O Trilha de Letras traz, ainda, a participação poeta Luis Carlos Santana no quadro "Dando a Letra", espaço do programa que estimula os novos autores. O convidado aborda suas publicações e o canal que criou no Youtube.