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Caminhos da Reportagem debate medicalização infantil

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Divulgação TV  Brasil
O fenômeno conhecido como medicalização infantil é o tema do Caminhos da Reportagem desta terça (29), exibido às 21h30 na TV Brasil. Crianças e adolescentes que não foram diagnosticados com transtornos cognitivos estão sendo medicados com remédios de tarja preta; drogas que, além dos efeitos colaterais e das contraindicações, podem causar dependência.

Desde 2015, o Brasil é o segundo maior consumidor de metilfenidato no mundo. Dados do Ministério da Saúde apontam um aumento de 775% no consumo da Ritalina – nome comercial da substância – nos últimos dez anos. Os números são alarmantes e tem gerado discussões em torno do tema, principalmente por conta da prescrição em crianças e adolescentes. Para o pediatra Daniel Becker, sem dúvida, é o capítulo mais perverso dessa tendência: “este aumento vem em paralelo a um fenômeno mais global, mais amplo, que é a medicalização da vida”.

Alguns especialistas apontam que é preciso repensar o modo de vida atual, sobretudo a família. Pais mais ausentes pela intensa rotina de trabalho e o uso intensivo da tecnologia por crianças e adolescentes podem estar ligados ao aumento do uso de substâncias psicotrópicas, que alteram o sistema nervoso central do paciente.

A psicopedagoga e autora de dois livros sobre educação infantil, Isa Minatel, acredita que é possível reverter o fenômeno da medicalização a partir de um maior conhecimento do papel dos pais dentro de casa. “A gente tem um sem fim de crianças medicalizadas com diagnósticos equivocados que é por falta de gestão do temperamento dessa criança, por não entender o cérebro, o desenvolvimento infantil”, destaca.

Outro ator importante é a escola. Médicos e profissionais são unânimes: educadores tem um papel fundamental na compreensão da criança do mundo atual. Para a psicóloga Marilene Proença de Souza, Membro do Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade, é preciso “entender essa relação que se estabelece entre estudantes, professores, método de ensino, organização da escola, e comunidade, pra que a gente possa, ao entender essas relações, ver onde estão essas dificuldades”.