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Caminhos da Reportagem revela como está a vida de moradores de Brumadinho e Mariana

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Divulgação TV Brasil
O Caminhos da Reportagem que a TV Brasil apresenta neste sábado (25), às 21h30, esteve em Brumadinho e em Mariana para mostrar como está a vida das pessoas que foram afetadas pelo rompimento das barragens da mineração. A atração vai ao ar exatamente um ano após o desastre em Brumadinho, de responsabilidade da mineradora Vale, que deixou 270 pessoas mortas e uma cidade inteira abalada.

Lá os bombeiros continuam as buscas pelos últimos 11 corpos ainda não encontrados. Esta é a maior operação de resgate já realizada na história do Brasil. Nos números oficiais, são 270 mortes. Mas as famílias atingidas contam também os dois bebês de duas mulheres grávidas que morreram na tragédia, e divulgam o número de 272 vítimas.

Eliane Melo estava grávida de cinco meses. Ela trabalhava em uma empresa terceirizada que presta serviços para a Vale. Josiane Melo, uma das irmãs de Eliane, também é engenheira civil e funcionária da mineradora. Emocionada, ela fala da irmã à equipe de reportagem: "Ela morreu trabalhando. No vídeo do rompimento, quando passa a barragem rompendo, tem um carro tentando fugir da lama, ela estava naquele carro. Então, a gente acredita que ela viu tudo. Essa imagem não sai da nossa mente".

Natália de Oliveira também perdeu a irmã, Lecilda de Oliveira. Até hoje, vive a angústia de não encontrar o corpo e não poder encerrar um ciclo com o sepultamento. "Todas essas joias encontradas no decorrer do tempo, por um instante, eu pensei que poderia ser ela. Então, a gente vive essa expectativa no dia a dia", diz Natália.

"Joias" é como as famílias se referem aos restos mortais das vítimas. Para sobreviver, Natália conta que está fazendo tratamento com psiquiatra e com psicólogo: "Agora pra dormir a gente tem que tomar remédio, pra gente acordar e pra gente viver".

A pedido do Ministério da Saúde, a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) vai monitorar as alterações nas condições de saúde dessa população a curto, médio e longo prazo. "A hipótese principal é que essa população vive o que a gente chama de estresse pós-traumático", afirma o pesquisador da Fiocruz Sérgio Viana.

De acordo com ele, existe uma alteração no perfil imunológico, na qualidade de vida e na saúde mental dessas pessoas. O secretário de Saúde de Brumadinho aponta que quase um ano depois da tragédia há um aumento de 400% na demanda por atendimento em saúde mental no sistema público de saúde na cidade.

O programa jornalístico relembra que, há pouco mais de quatro anos, Mariana, também em Minas Gerais, viveu outra tragédia ambiental de grandes proporções, quando a barragem da Samarco, empresa controlada pela Vale e pela BHP Billiton, se rompeu e matou 19 pessoas.

A equipe de reportagem esteve lá e mostrou que a população continua abalada e em situação provisória. "A gente vive uma vida imposta. A gente não consegue planejar. Porque esse processo vai adoecendo as pessoas. Eu, depois do rompimento, fiquei diabético, tomo três comprimidos de depressão e pressão alta", conta o lavrador Marino D'Ângelo Junior, que completa: "Já estamos há quatro anos sem saber quando a gente vai retomar nossa vida de volta".

A saúde mental dos atingidos pela barragem do Fundão, em Mariana, foi tema de uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais. Segundo a psiquiatra Mayla Castro, que coordenou a pesquisa, 30% dos entrevistados estavam com depressão, um percentual cinco vezes maior que a média no país. 

"Até 82% dos adolescentes apresentavam algum sintoma de estresse pós-traumático, sendo que o principal sintoma encontrado era uma revivescência do momento da tragédia, então assim, eles tinham flashbacks de memória do que tinha acontecido ainda naquele dia, isso de fato pode se tornar muito incapacitante pra qualidade de vida das pessoas", explica a pesquisadora.