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Doze anos depois, Flora e Donatela estão de volta, no Globoplay

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Divulgação TV GLOBO / Rafael França
“Que beijinho doce que ele tem. Depois que beijei ele, nunca mais amei ninguém”. Muita gente que acompanhou ‘A Favorita’, primeira novela das nove de João Emanuel Carneiro, com direção-geral de Ricardo Waddington e exibida entre 2008 e 2009, já cantarolou esses versos da canção de maior sucesso de Faísca e Espoleta, dupla sertaneja fictícia formada por Flora (Patricia Pillar) e Donatela (Claudia Raia) na trama. As personagens de Patricia Pillar e Claudia Raia protagonizaram uma das maiores rivalidades do universo da dramaturgia nacional e movimentaram diversas torcidas em apostas sobre quem era a mocinha e quem era a vilã da história. A partir desta segunda-feira, dia 25, elas estão de volta, no Globoplay. Esta será uma oportunidade inédita para grande parte do público assistir à novela pela primeira vez em HD, já que em 2008, ano de sua exibição original, a maioria das TVs no Brasil não tinham resolução em alta definição.

“A Favorita é minha novela predileta. O trabalho de um autor é sempre inventar desafios para si próprio. Nesta novela, experimentei deixar o espectador sem saber quem era a heroína e a vilã por oitenta e poucos capítulos. Essa era a grande brincadeira”, lembra João Emanuel Carneiro. A estreia de ‘A Favorita’ marca a entrada de novelas clássicas no Globoplay a cada duas semanas, sempre às segundas-feiras. As próximas cinco estreias serão ‘Tieta’ (1989), ‘Explode Coração’ (1995), ‘Estrela-Guia’ (2001), ‘Vale Tudo’ (1988) e ‘Laços de Família’ (2000).

O embate entre Flora e Donatela, antigas parceiras da fictícia dupla sertaneja Faísca e Espoleta, marca o eixo principal de ‘A Favorita’. Após cumprir uma pena de 18 anos de reclusão pelo assassinato de Marcelo Fontini (Flavio Tolezani), o marido de Donatela, Flora deixa a prisão disposta a provar a sua inocência. Ela acusa a ex-parceira de ter cometido o crime. Ao mesmo tempo, quer se reaproximar da filha Lara (Mariana Ximenes), criada pela rival, fruto de um relacionamento com Marcelo, de quem havia se tornado amante. Lara é a única herdeira de um império de papel e celulose e está no centro da disputa entre as duas personagens.

A história da dupla começa na infância. Elas cresceram como irmãs, pois Donatela perdeu os pais num acidente e foi adotada pela família de Flora. Ambas tinham vocação para o canto. Quando começaram a chamar a atenção se apresentando em escolas e clubes, foram descobertas pelo empresário Silveirinha (Ary Fontoura), um caça-talentos que as levou para excursões pelo Brasil afora. Silveirinha foi um misto de pai e carrasco: explorava as garotas, ficando com boa parte do cachê que recebiam, e lhes dava comida e proteção. A dupla chegou a fazer razoável sucesso, mas a carreira foi interrompida após uma turnê em que as duas conheceram os amigos Marcelo e Dodi (Murilo Benício), de quem se tornaram noivas. 

Donatela se casou com Marcelo, filho do poderoso Gonçalo Fontini (Mauro Mendonça), dono de uma indústria de papel e celulose. Flora virou esposa de Dodi, rapaz de origem pobre, que trabalhava na firma do pai do amigo. A felicidade de Donatela e Marcelo durou pouco. O primeiro filho do casal, Mateus, foi sequestrado com seis meses de idade e nunca mais apareceu. Desde então, os dois passaram a se desentender com frequência. Flora, por sua vez, separou-se de Dodi e, algum tempo depois, teve um caso com Marcelo, de quem engravidou, dando à luz Lara. Isso agravou a crise entre Donatela e Marcelo e, principalmente, entre as duas amigas. No auge da crise, Marcelo foi assassinado e Flora foi presa com base no depoimento da manicure Cilene (Elizangela), que afirma ter presenciado o crime. 

A ex-presidiária, porém, garante que é vítima de uma farsa armada por Donatela, a quem acusa de estar interessada na fortuna da família Fontini. Segundo Flora, Donatela teria comprado a cooperação de Cilene e do Dr. Salvatore (Walmor Chagas), médico que prestou socorro a Marcelo, para mandá-la para a cadeia e fazê-la pagar injustamente por um delito que não cometeu. É com a ajuda de Donatela, por exemplo, que Cilene consegue montar seu próprio negócio. Afinal, qual das duas estará falando a verdade: Flora ou Donatela?

Depoimentos de Claudia Raia e Patricia Pillar:

Claudia Raia: “Fui pega de surpresa quando soube que a novela ia estrear no Globoplay e amei a novidade! ‘A Favorita’ foi muito marcante. Até hoje, por exemplo, as pessoas cantam "Beijinho Doce" por causa de Flora e Donatela. Fiquei muito feliz de saber que vai entrar no catálogo. ‘A Favorita’ é atemporal. Ela não fala do momento que se vive. Fala da condição humana. E isso não muda.

Donatela é uma personagem completamente diferente das que vieram antes e das que vieram depois na minha carreira. O trabalho de composição dela foi algo muito minucioso. Não emprestei nada meu a ela (risos). Era outra postura, outra maneira de falar, de se comportar. Ela é uma mulher complexa: ao mesmo tempo que o público vê nela uma mulher amorosa, havia a dúvida se ela estaria ou não falando a verdade. Então, por quase metade da trama, operei nessa dualidade porque não sabíamos quem era a vilã ou a mocinha. Isso é algo muito rico para o ator.

‘A Favorita’ foi uma novela que impactou muito o público. A história foi construída de uma maneira muito hábil por João Emanuel Carneiro, que não esperou o último capítulo para fazer as máscaras caírem. Tanto Donatela quanto Flora tinham histórias críveis. A virada do capítulo 100, quando o público descobre de fato quem é a vilã e a mocinha da história, foi muito impactante. A dupla Faísca e Espoleta até hoje é lembrada. Quando posto algo nas redes sociais, por exemplo, o público sempre reage com carinho, fala de saudade. Na época, lembro que as pessoas demoraram a se acostumar com os trejeitos de Donatela. Ela era uma mulher com características mais brutas e eu precisei me despir de mim para colocá-la em cena. Foi um trabalho muito especial.

Patricia Pillar: “Adorei saber que a novela estará disponível no Globoplay. Sempre tive a curiosidade de saber como seria assistir já sabendo quem estava falando a verdade, Donatela ou Flora. Ela foi exibida há mais de 10 anos. Acho que tem uma geração que não assistiu na época. Acompanhar sem saber quem e a vilã e a mocinha é muito interessante. Mas, acompanhar já sabendo, também acho rico porque será possível  ver as personagens com outros olhos: o desespero real de uma, a frieza da outra...

Sempre tive um retorno muito carinhoso sobre a Flora, até hoje. Ela tinha um lado divertido. A novela ficou reverberando um bom tempo depois. Lembro da enorme repercussão que teve quando as pessoas descobriram as verdadeiras personalidades. João Emanuel Carneiro usou dos clichês para fazer essa brincadeira com os espectadores. Ele é um autor muito inteligente e confiou em sua ideia até o fim, o admiro muito por isso.”


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