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Marielle Franco é reverenciada em conto africano sobre resistência e conquistas das minorias

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Divulgação
O legado de Marielle Franco no feminismo negro ganha delicada homenagem em animação do conto sobre resistência e conquistas das minorias “A Lenda do Tambor”, a ser exibida nesta sexta-feira (12), às 20h30, no canal de TV por assinatura Prime Box Brazil. A analogia é retratada na série documental Sankofa – A África que Te Habita, que reflete sobre as sequelas da opressão colonial, dentre as quais o racismo sofrido por afrodescendentes, e também reverencia a decorrente herança multicultural dos povos escravizados nas Américas e na Europa.

As narrativas orais preservam os ensinamentos ancestrais, uma marcante tradição africanista transmitida entre gerações, que contribui para a formação de valores nos indivíduos. Narrada pela atriz e ativista Zezé Motta, a lenda diz que um grupo de macacos sonhava sem sucesso ir à lua, até que o menor deles tem a ideia de se amontoarem entre si para traze-la à terra. O Macaquinho consegue subir no astro antes que a pilha de seus colegas desmoronasse. Como recompensa, recebeu um tambor da Lua. Ao retornar ao seu habitat, o animal tocou o tambor antes de chegar ao solo, levando a Lua cortar a corda que o transportava. Antes de morrer, o Macaquinho pediu à moça que passava pelo local – representada por Marielle - que levasse o instrumento aos homens de seu país. Vieram pessoas de todas as partes da África e todos ouviram os primeiros sons do tambor.

Artista plástico, ilustrador, desenhista e videografista, o carioca Eduardo Santos idealizou a homenagem tomado pela emoção da tragédia em 2018. As referências da ilustração foram imagens África primitiva e a xilogravura. “O principal foco a se perceber é o valor que o grupo dá ao trabalho coletivo para alcançar um objetivo. O líder adquire uma nova forma de comunicação, o som do tambor, e a compartilha para benefício da comunidade. Mesmo após a partida do Macaquinho, aquele conhecimento se alastra, tornando-se um marco para muitos. O legado da Marielle na luta por direitos sociais é o que se observa nessa metáfora”, explica. O profissional também ressalta o espírito Ubuntu presente na fábula, no qual a compaixão entre as pessoas é valorizada.

Símbolo de um pássaro mítico africano com a cabeça virada para as costas, Sankofa se traduz por “volte atrás e busque o que esqueceu”. Para além do que os livros descrevem, o afro-brasileiro neto de mulher escravizada, César Fraga, e o historiador, Maurício de Barros Castro, refizeram as quatro rotas do tráfico transatlântico do século XVIII (Guiné, Mina, Angola e Moçambique) em busca de seus antepassados, dando origem à série de TV. O audiovisual é estruturado na viagem dos protagonistas por Cabo Verde, Guiné-Bissau, Senegal, Gana, Togo, Benim, Nigéria, Angola e Moçambique. Contextualizado por análises de historiadores, sociólogos e etnolinguistas, depoimentos e intervenções artísticas de descendentes e praticantes das religiões de matriz africana e se debruça na sabedoria dos contos orais.

Em 60 dias de viagem, César produziu cerca de 4.000 fotografias, orientado pela pesquisa de Maurício, que retratam locais de memória. Alguns são Casa dos Escravos e Sua Porta do Não Retorno na Ilha de Gorée, no Senegal, por onde vidas partiam em navios pelo Oceano Atlântico para nunca mais voltar e o campo de concentração para rebeldes Castelo de São Jorge da Mina, na cidade de Elmina, em Gana. Continua com o símbolo do castigo em via pública Pelourinho no município de Cidade Velha, em Cabo Verde, e As Pegadas da Rainha Ginga, na Angola, referência da resistência feminina contra o explorador.

Para César, o orgulho é a principal bandeira defendida pela empreitada. “Não podemos contar com a boa vontade do opressor. Por isso, proponho estimular a autoestima dos povos negros. Digo aos jovens das periferias abusados diariamente: se enxerguem em condições de igualdade em respeito ao rico conhecimento e às lutas que nossos ancestrais nos transmitiram”, afirma. Sankofa – A África que Te Habita é produzida pela FBL Criação e Produção, dirigida por Rozane Braga e roteirizada por Zil Ribas.


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