Maldades de Malu em 'Malhação: Viva a Diferença'

Divulgação Globo/Estevam Avellar
Em 'Malhação: Viva a Diferença' quem dá vida à vilã da trama, praticando maldades, é Daniela Galli, na pele de Malu. Professora na escola particular, Malu era amiga de Marta (Malu Galli) desde a infância. Apesar de Marta nunca ter competido com ela, a professora sempre esteve na disputa. Pelo seu ponto de vista, a amiga sempre foi mais bonita, mais interessante, inteligente e bem-sucedida. Não à toa, ela se envolveu com o marido de Marta, Edgar (Marcelo Antony), agora separado dela. 
Malu vive aprontando para atrapalhar a relação entre Edgar e Lica (Manoela Aliperti), além de interferir no futuro de Ellen (Heslaine Vieira). “Eu já havia vivido personagens dúbios, mas nunca uma vilã tão unânime. Foi uma experiência nova e um desafio prazeroso. Na minha interpretação, busco sempre humanizar a personagem e fugir de estereótipos. Nesse caso, não queria cair na ideia clichê de vilania, mesmo sendo, talvez, a personagem mais folhetinesca da trama. Aos poucos, fui descobrindo a Malu e experimentei jogar com opostos. A ironia, por exemplo, era algo muito presente nas falas dela, às vezes, um sorriso, um tom de voz suave e a aparente elegância podiam ser ainda mais cortantes que uma esbravejada ou um tom de voz mais alto e firme”, conta Daniela. 
Sobre a repercussão da reprise ela diz que voltou a receber mensagens do público. “Voltei a receber mensagens não muito carinhosas pelas redes sociais (risos), mas também recebo recados lindos, são inúmeros os depoimentos emocionantes de admiração pela temporada. Cultivamos um público muito carinhoso e ativo”, completa. 
Entre as maldades de Malu, além de tantos preconceitos que expressa ao longo da trama, nos próximos capítulos, ela tentará roubar o lugar de Bóris (Mouhamed Harfouch) no Colégio Grupo chantageando o próprio companheiro, Edgar. 
'Malhação: Viva a Diferença’ tem autoria de Cao Hamburger e direção artística de Paulo Silvestrini e vai ao ar logo após o ‘Vale a Pena Ver de Novo’.
   
Entrevista com Daniela Galli:
Como você recebeu a notícia da reprise de Malhação?
Fiquei sabendo da reprise pelas “five”, que contaram a notícia para todo o elenco no grupo de whatsapp que mantemos até hoje. Foi uma alegria muito bem-vinda logo no início da quarentena. Esse trabalho foi especial para todos os envolvidos, a começar pela proposta de falar do universo jovem com naturalidade, sem mitificá-lo, descartando superficialidades, celebrando a diversidade e trazendo para discussão pautas relevantes. A concepção e condução artística era sofisticada, sensível e inteligente, e instituiu-se uma sintonia fina e preciosa entre toda equipe e elenco. Nos dedicamos com carinho e fomos muito felizes durante todo o projeto, tanto na sua realização quanto no retorno que tivemos do público e da crítica. 
Na história, você vive uma vilã. Como foi essa experiência de encarnar uma mulher tão ambiciosa?
Eu já havia vivido personagens dúbios, mas nunca uma vilã tão unânime. Foi uma experiência nova e um desafio prazeroso. Na minha interpretação, busco sempre humanizar a personagem e fugir de estereótipos. Nesse caso, não queria cair na ideia clichê de vilania, mesmo sendo talvez a personagem mais folhetinesca da trama. Aos poucos, fui descobrindo a Malu e experimentei jogar com opostos. A ironia, por exemplo, era algo muito presente nas falas dela, às vezes, um sorriso, um tom de voz suave e a aparente elegância podiam ser ainda mais cortantes que uma esbravejada ou um tom de voz mais alto e firme. Eu falava das coisas mais horríveis como se estivesse fazendo um elogio. E isso tinha um efeito extremamente irritante. Assim, fui brincando com essas nuances, diferentes estados de agressividade, de expressão de afeto, de sedução, manipulação, controle e descontrole. E me divertia com o efeito que eles tinham sobre meus parceiros de cena, sobre a equipe ao nosso redor e sobre o público. Mas houve momentos onde eu tinha que dizer coisas tão horríveis, que eu chegava a me desculpar no final. Me lembro especialmente das cenas de preconceito e humilhação que tinha com a Helen - eu sempre abraçava a Heslaine depois.
Tem alguma cena que você gostaria de rever? Se sim, qual?
Eu tive parceiros de cena maravilhosos e foi um prazer trabalhar com eles. Gostaria de eleger uma cena com cada um, mas seria uma lista muito grande… Tem vários momentos que eu queria revisitar: a festa junina das duas escolas juntas e o discurso em prol da educação que a Dóris faz; a cena em que o pai da Benê aparece; a manifestação dos alunos pedindo que o Bóris fique na escola; os shows dos Lagostins; qualquer cena do Juan Paiva e da Heslaine Vieira. E uma cena curtinha, mas especial, com a Isa Scherer e o Angelo Antonio, quando Malu interrompe uma conversa entre Luís e Clara no café. Ali, o público pôde ter um gostinho da intimidade dessa família que se desfez. Era uma cena chave para humanizar a Malu e também a Clara; ainda que eu tenha usado da ironia e arrogância características da personagem, tomei especial cuidado em revelar a existência de possíveis mágoas na intimidade com Luís. Eu e Ângelo Antonio tínhamos apenas três frases, mas ele é um ator tão talentoso e generoso que, juntos, foi como se revivêssemos anos de vida em poucos segundos. Aquilo nos trouxe uma verdadeira emoção em cena, dando outra dimensão para a relação dos dois, mesmo que num relance. Ângelo e eu conversamos depois da cena sobre como naquele momento foi possível ver que esses personagens se amaram um dia, tiveram uma vida juntos. Por fim, claro, uma unanimidade: a cena em que Marta joga sopa na cabeça da Malu… (risos). 
Como está sendo a repercussão da reprise?
Voltei a receber mensagens não muito carinhosas pelas redes sociais (risos), mas também recebo recados lindos. São inúmeros os depoimentos emocionantes de admiração pela temporada. Cultivamos um público muito carinhoso e ativo. ‘Viva a Diferença’ conta histórias e levanta questões necessárias para a construção de uma sociedade mais justa.
Você gosta de rever trabalhos antigos? Se considera autocrítica?
Sou autocrítica e muito exigente com meu trabalho, mas gosto de rever o que fiz depois de um tempo. Claro que em muitos momentos penso: “puxa, hoje eu faria isso diferente”. Mas faz parte, estamos em constante movimento e evolução. Amo meu trabalho e, junto com cada personagem, vivo experiências que me transformam. Quando assisto depois de um tempo, é possível ter um distanciamento entre resultado e processo. Vejo qualidades que eu já possuía e mantive em essência, outras que talvez eu tenha perdido e aproveito para resgatar, e identifico também onde aprendi e evoluí. Acredito que será sempre assim… um eterno aprendizado, exercício, descoberta e encantamento.
Alguma lembrança de bastidor da época que ficou guardada na memória?
São tantas memórias bonitas que guardo no coração. Fiz amizades para a vida toda e aprendi muito. A gente se divertia muito nos bastidores. Não esqueço de uma brincadeira que o Bruno Gadiol fez conosco: ele cantava e filmava enquanto a gente dublava ao vivo. Criamos vídeos hilários. Em um dos encontros fora do trabalho, onde reunimos elenco e equipe, havia uma banda tocando e logo começou uma sessão de jam improvisada, visto que tínhamos muitos músicos no elenco. Foi tudo lindo, mas o auge se deu quando o nosso amado diretor artístico Paulo Silvestrini, e o também diretor e querido Carlo Milani, assumiram alguns dos instrumentos e tocaram pra gente. Era uma turma feliz. A gente dançava e cantava muito. Me lembro da gravação da cena onde os alunos pedem ao Bóris que fique na escola, embora a Malu estivesse amando (risos), eu, Daniela, me arrepiei. Emocionante o reconhecimento da importância do professor, do educador.
Com a flexibilização em algumas cidades, como está a retomada da sua rotina?
Há pouco tempo, depois de cinco meses de isolamento, tive que viajar por uma necessidade. Mesmo assim, continuo em casa, saindo só para o necessário e tomando todas as medidas de segurança (máscara, distanciamento e álcool em gel). Mas incluí algumas bem-vindas voltas de bicicleta e mergulhos no mar bem cedinho. A natureza é nossa mãe e ficou muito bem sem nossa presença. Espero que todo esse período sirva para que mais e mais pessoas percebam que é urgente uma mudança de hábitos em relação ao meio ambiente. 

Anderson Ramos

O Universo da TV é o site perfeito para quem quer ficar por dentro das últimas novidades da TV. Aqui, você encontra notícias sobre TV paga, programação de TV, plataformas de streaming e muito mais. É o único site que oferece uma cobertura completa da TV, para que você nunca perca nada. facebook instagram twitter youtube

Postar um comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do O Universo da TV.

Postagem Anterior Próxima Postagem

Formulário de contato