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TV Brasil presta tributo à escritora Carolina de Jesus e aos 60 anos do ''Quarto de Despejo''

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Divulgação

Às 20h de domingo (22), a uma edição inédita do Caminhos da Reportagem relembra um grande nome da literatura brasileira. Em ''Carolina de Jesus, a escritora além do quarto'', o programa revê a vida e a obra da brilhante romancista, contista, cronista e dramaturga que, apesar da extensa produção, costuma ser lembrada no Brasil por ''Quarto de despejo: Diário de uma favelada'', publicado há 60 anos.

''É muito emocionante ver uma pessoa que não tem nada e também não contenta com esse nada. E tudo que é oferecido também não basta'', é assim que a escritora Conceição Evaristo define a resiliência de Carolina Maria de Jesus. Para o Caminhos da Reportagem, Conceição também conta como Carolina serve de inspiração para si própria e sua família no sentido de ''não aceitar a pequenez da vida.''

Carolina nasceu em Sacramento (MG) e ainda jovem migrou para São Paulo. Morou na favela do Canindé e, catando papel nas ruas, criou sozinha três filhos. E escreveu. Escreveu muito.

Seu maior sucesso, “Quarto de despejo: Diário de uma favelada”, foi traduzido para mais de uma dúzia de idiomas, deu fama e reconhecimento à autora cujo maior sonho era escrever, segundo a própria Carolina. Junto com o sucesso, veio o estigma de escritora ex-favelada, que só falava de pobreza e fome. É esta a imagem que pesquisadores e novos escritores negros têm tentado mudar. 

''É sempre uma imagem marcada pela subalternidade. Carolina era vaidosa, gostava de se arrumar, usar pérolas. E quando tinha agenciamento sobre si, ela escolhia sempre pela vaidade'', conta a historiadora Raquel Barreto, curadora da exposição promovida pelo Instituto Moreira Salles com o objetivo de desconstruir o estereótipo da Carolina favelada, sempre com o lenço na cabeça. ''Hoje, a gente tem felicidade em ver que estamos procurando outras imagens de Carolina.''

O programa revela trechos de obras inéditas, que serão publicadas em edição especial pela editora Companhia das Letras. Doutora em letras, Fernanda Miranda explica a necessidade de um conselho curador composto só por mulheres negras para resgatar a essência de Carolina. Livros, peças de teatro, provérbios, e diários inéditos serão publicados sem cortes.

"Essa publicação estabelece um divisor de águas na obra de Carolina, porque não vamos interferir no texto dela. ‘Quarto de Despejo’ e ‘Casa de Alvenaria’ vão ser lidos pela primeira vez em sua totalidade", conta Fernanda.


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