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Repórter Record Investigação revela as histórias de quem responde na Justiça por crimes famélicos, nesta quinta-feira

Divulgação

Crime famélico é o termo usado para o furto realizado para saciar uma necessidade básica e urgente, por comida ou remédio, por exemplo. Nos últimos anos, com o aumento da pobreza e a falta de emprego, milhares de brasileiros foram encarcerados por esse delito que a maioria das autoridades considera insignificante, em que caberia pena alternativa, não a prisão. No programa desta quinta-feira (24/02), com o documentário ''Crimes de Fome'', o Repórter Record Investigação, apresentado por Luiz Fara Monteiro, conta as histórias daqueles que respondem na Justiça por ações como levar um alimento do supermercado para não morrer de desnutrição.

Os jornalistas Marcus Reis, Flávia Prado, Aldrich Kanashiro e Leonardo Medeiros encontram as pessoas que encararam a prisão após cometerem esse tipo de furto. E também entrevistam especialistas, juristas e autoridades sobre os crimes famélicos. "Se o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal, que são os tribunais superiores, entendem determinadas situações de um jeito, que não há razão para prisão, não há razão lógica para o que os tribunais ordinários, os tribunais de Justiça, os tribunais regionais, federais ou juízes em primeira instância decidirem de forma contrária”, afirma categoricamente Sebastião Reis Júnior, Ministro do STJ.

Sem recursos para comprar comida ou remédio para os filhos, Mariele cometeu um crime e não foi beneficiada pela pena alternativa prevista pelo STF. "Roubei dois pedaços de carne no supermercado. ‘Tava’ tudo na minha bolsa", confirma. Presa em flagrante, cumpriu três meses de reclusão. "Fiquei junto com traficante, pessoa que matou filho. Mãe que ajudou o padrasto a matar filho. Acaba com a sua vida. Mas uma mãe não se arrepende do que faz pelo filho, de jeito nenhum", enfatiza.

Já Janaina vem perdendo a esperança de encontrar trabalho. Principalmente após ter saído da prisão. A ex-agente de saúde cumpriu dois meses por uma acusação inusitada: furtar um porco. Ela nega o crime. O então marido dela teria levado o animal sozinho. Mas o fato é que, no dia seguinte ao furto, a polícia foi até a casa dela e a prendeu. Um porco que seria vendido por R$ 100 a colocou no presídio. Para as outras detentas, era uma história inacreditável. "Elas davam risada de mim, não estavam acreditando que eu estava presa por roubar um porco", relembra.

Fabiana também não se arrepende do que fez para cuidar do filho. A diarista viveu dias de horror na cadeia porque furtou um bem essencial a todos nós: a água. Ao voltar de uma viagem, em julho do ano passado, percebeu que o fornecimento tinha sido cortado por falta de pagamento. As torneiras secas e um filho sujo e faminto a convenceram a fazer uma ligação clandestina, o chamado 'gato'. Um funcionário da companhia de saneamento foi até a casa dela junto com a polícia. Fabiana perdeu a paciência com os policiais e acabou detida. Da delegacia para penitenciária, tudo piorou. "Fiquei solitária, sofrendo, sem família, não sabia como estavam meus filhos. Revezava para dormir na cela com outras 14, 15 mulheres", conta Fabiana. Depois de quase três meses presa, ela quer arrumar um emprego: "Se Deus quiser, vou conseguir".

Crimes de Fome, mais um documentário exclusivo do Repórter Record Investigação, vai ar nesta quinta (24/02), às 22h30.  A apresentação é de Luiz Fara Monteiro.

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