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“O que eu mais faço é usar esse espaço que eu tenho para que todo corpo gordo receba respeito e tenha dignidade em nossa sociedade'', revela Rafaela Ferreira

Divulgação João Raposo/ SBT

Rafaela Ferreira, atriz que dá vida à Nanci em ''Poliana Moça'' é a convidada do ''PoliCast'' desta quinta-feira (05). Ela fala sobre o ativismo gordo e sobre sua personagem na obra. O podcast vai ao ar logo após a exibição da trama na TV, no canal da novela do YouTube, Spotify, Deezer e Amazon Music.

Nanci trabalha como chef de cozinha de grandes eventos, também está no caminho para ajeitar de uma vez por todas a vida amorosa. Aprendeu a se valorizar como mulher e fala sobre relacionamentos tóxicos e abusivos, baseados na sua experiência de vida. Dona Branca [Lilian Blanc] é a única que não acredita que Nanci realmente tenha tomado jeito na vida amorosa, até porque a neta ainda não engatou em nenhum relacionamento amoroso duradouro desde Waldisney [Pedro Lemos]. No fundo, bem lá no fundo, Nanci sabe que a avó tem seu pingo de razão, pois ainda guarda sentimentos pelo criminoso foragido, que tanto lhe fez sofrer, mas vive tentando sufocar essa realidade dentro de si.

Rafaela conta que sua mãe tinha o livro “Pollyanna”, da escritora americana Eleanor H. Porter, que inspirou a novela, e que ela já conhecia a personagem pela história.

“A Nanci é uma personagem que eu conheço desde criança, porque tem o livro. A minha mãe é muito apaixonada por esse livro, foi um livro que marcou a infância dela, ela leu para mim, a gente tinha uma edição [do livro] super bonita, então, eu já tinha essa relação de carinho com a Nanci, eu achava ela um personagem super interessante”.

A convidada diz que está contente e realizada com essa segunda temporada de “Poliana”: “Gravar essa novela é um prazer imenso. Nossa relação já tem cinco anos, começou lá em ‘Aventuras de Poliana’, a Nanci caiu como um grande presente na minha vida, quando eu soube que ia ter ‘Poliana Moça’ eu fiquei mais feliz ainda, porque dá continuidade a um trabalho que a gente se sente à vontade, é tudo de bom”.

Rafa tem 33 anos e é ativista gorda. Ela usa suas redes sociais para ajudar o público sobre aceitação e autoestima, além de mostrar os obstáculos na sociedade e a igualdade que deve existir para todos os tipos de corpos.

“Para mim é muito especial ser ouvida e de uma forma tão carinhosa quanto a que nossos fãs ouvem a gente, e tem assuntos que são muitos caros para mim, então, eu resolvi compartilhar esses assuntos, eu converso muito sobre corpo, principalmente sobre o corpo gordo, que é o corpo que eu tenho, e que desde infância eu vinha entendendo que eu ia passar por questões nessa sociedade do jeito que ela é formada e formulada, e eu fui aprendendo formas de lidar com isso e de me entender como eu sou, de ser quem eu sou inteiramente, sem tentar esconder ou fingir que eu sou outra coisa”, declara a atriz.

“Gente, a roupa tem que caber no seu corpo, e não o seu corpo que tem que caber na roupa”, pontua.

“É um caminho de altos e baixos, como tudo. É como acontece no racismo e diversas situações que a gente tem que enfrentar na sociedade, porque eu posso ter a melhor autoestima do mundo, eu posso me achar uma mulher linda, incrível e maravilhosa, mas eu posso continuar não cabendo na poltrona de um avião, não passando na roleta de um transporte público, então, não é só sua autoestima, não é só a gente estar de bem com a vida, é um problema estrutural que a gente vai ter que enfrentar. Por isso, a gente se coloca em grupos, vai procurando quem é comum, quem é igual a você e vai se fortalecendo. Eu sinto que muita coisa mudou, a gente está em um caminho de evolução, mas ainda tem uma estrada grande para a gente percorrer. São muitas pessoas que me ajudaram a encontrar um lugar legal, comigo mesma e com os outros, e também de lutar por esse espaço, porque, hoje em dia, o que eu mais faço é usar esse espaço que eu tenho para que todo mundo, todo corpo gordo, receba respeito e tenha dignidade em nossa sociedade”, alega Rafaela.

A entrevistada também fala sobre o relacionamento de Nanci com o Waldisney, o vilão com quem teve um namoro no passado:

“Ela continua apaixonada, apesar de ter passado por tudo. Depois de ter sido refém de uma pessoa é complicado, mas é um amor bandido desses dois, porque ele também fica pensando nela, ele também quer ter esse contato de novo. Está com tudo para rolar esse replay. [...] Acho que esse amor bandido vai ter futuro, eu acho, eu não sei, não…”, finaliza.

O podcast “Policast” vai ao ar toda terça e quinta, logo após a exibição da novela, no canal de Poliana Moça no YouTube e nas plataformas de áudio

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