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Reunião de nacionalidades no Canindé e tranças que promovem a autonomia feminina no Grajaú são algumas das atrações do 'Mistura Paulista'

Divulgação Globo

As regiões do Grajaú e do Canindé são os destinos do terceiro episódio do 'Mistura Paulista', que a TV Globo exibe neste sábado, dia 4 de junho, para São Paulo. Para os amantes de futebol, o nome soa familiar, afinal, foi a partir do Estádio do Canindé que o bairro se desenvolveu. Mas o ponto de virada se deu com Ivair, o “príncipe do futebol”, apelidado por ninguém menos que Pelé. O jogador, que atuava pela Lusa e morava nas arquibancadas de madeira do estádio, foi vendido ao Corinthians. O dinheiro no negócio ajudou a financiar a reforma do local. A era do concreto havia chegado ao Canindé e a reforma se deu com doações dos próprios torcedores, de cimento, areia e até mesmo mão-de-obra. A repórter Denise Thomaz Bastos revela essa e outras curiosidades do estádio, que completou 50 anos em janeiro. Em um tour com o administrador Arhur, apelidado como “o prefeito do Canindé”, Denise ainda conhece o museu que conta toda a história do clube. 

As delícias do Canindé também estão presentes no programa deste sábado. O arais, prato de origem árabe, famoso no bairro não só pelo sabor, mas pela história por trás do sanduíche, é uma delas. A receita foi criada há 36 anos pelo sírio Missak Yaroussalians, que chegou ao Brasil com três anos de idade com os pais e irmãos, e aqui é chamado carinhosamente de Carlinhos. Com desejo de comer esfirra, mas sem nada pronto em casa, ele improvisou um novo prato misturando camadas de pão sírio com kafta. A invenção deu tão certo que conquistou clientes e se tornou sucesso de vendas na região. 

Realizada aos domingos, a feira Kantuta é um pedaço da Bolívia no Canindé. Reúne artesanato, culinária e dança típica do país. “Canindé é um bairro com muitas culturas. O local tem albergues que acolhem pessoas em situação de rua e refúgio. Me deparei com chineses, marroquinos, afegãos, bolivianos, angolanos, uma verdadeira mistura. Esse vai ser um programa onde os brasileiros vão conhecer culturas diferentes e perceber o quanto São Paulo é plural”, resume Denise Thomaz Bastos.  

Já a repórter Luiza Vaz vai até o Grajaú para conhecer as cores do grafite. Escolhido por um grupo de artistas plásticos para ser uma forma de arte, a expressão é tão forte no bairro que foi adotada por algumas escolas. Colorindo suas fachadas, os grafites dão aos alunos uma motivação a mais para não faltarem as aulas. Também no Grajaú, um salão criado em 2017, com o objetivo de valorizar o cabelo natural sem utilizar química, deu um novo significado para as mulheres da região. Especializado em tranças e cortes artísticos voltados para a estética periférica, o estabelecimento se tornou uma fonte de renda e, principalmente, uma ferramenta para autonomia feminina no bairro. "A gente abrange a estética negra e periférica para poder atingir outras pessoas também. Tem toda essa diversidade. A periferia é um local plural", descreve Mari, que faz parte do grupo de afroempreendedores que fundou o salão. 
 
Entre os outros pontos visitados por Luiza no Grajaú está uma famosa cervejaria do bairro, com oito rótulos lançados. Segundo o idealizador Leandro Sequelle, as cervejas artesanais não eram tão acessíveis para os moradores da periferia, por isso criou a cervejaria com a identidade do bairro e com o conceito de “ser para todos”. "É um sonho transformar a cerveja artesanal em uma ferramenta de mudança, transformação social e potência de visibilidade da galera que está invisível socialmente", afirma Leandro. “Gostei muito da turma que trouxe a identidade do bairro pra uma cerveja. É mais que uma bebida, é cultura, é tradição, é ancestralidade”, complementa Luiza Vaz.

O ‘Mistura Paulista’ vai ao ar neste sábado, dia 4 de junho, logo após o ‘Jornal Hoje’, apenas para São Paulo.

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