''É uma fábrica de loucura, uma fábrica de monstros'', diz Angelo Canuto, no Provoca, sobre o sistema penitenciário

Divulgação/Lara Asano

Nesta terça-feira (8/11), Marcelo Tas conversa, no Provoca, com o empresário de cantores e jogadores Angelo Canuto. Com um passado carregado de munição pesada, nascido na favela, o ex-policial e ex-presidiário fala sobre a desigualdade presente em regiões periféricas e suas vivências no sistema penitenciário. A entrevista inédita vai ao ar às 22h.
 
Nascido na Zona Leste de São Paulo, em Guaianazes, Canuto compartilha momentos marcantes de sua história de vida, como ter tido uma relação de pai e filho com o traficante de seu bairro, que o incentivou a não seguir pelo mesmo caminho: "Foi o cara que me ensinou a lei da favela, a me comportar. Ajudou a formar o meu caráter enquanto homem. E eu via na pessoa dele um porto seguro, era o cara que me orientava, que me ajudava", conta o empresário.
 
Na edição, Canuto conta porque foi preso novamente pela Polícia Federal. “Envolvimento no tráfico internacional, no Porto de Santos. Em 2004, eu fiquei preso no pavilhão que era parede com o pavilhão de estrangeiros e um desses estrangeiros veio morar no nosso pavilhão aleatoriamente (...) e eu estou em liberdade depois e recebo uma ligação, e ele me propõe algo no sentido do tráfico internacional e eu mergulho, uma troca de favores porque um dia eu ajudei ele, e quando ele me falou dos números, das cifras, foi algo que me impressionou”.
 
O empresário comenta na entrevista sobre a situação dentro das prisões. “É uma fábrica de loucura, uma fábrica de monstros, é o fim do mundo. Você não estuda, come mal (...) fiquei preso em presídios com 10 camas e 60 presos, a água racionada, banho de sol 50 minutos por semana, imagina você 24h por dia dentro de uma cela sem televisão, rádio e livro, quando tinha acesso, era uma vez a cada 15 dias”, diz.
 
Ainda no programa, Tas pergunta: tem muita gente que está no mundo do crime querendo sair? “É gigantesco, basta ter uma oportunidade séria, verdadeira e que haja paciência para ajudar, porque, às vezes, a pessoa não está preparada, nasceu no berço da miséria e do crime e tem isso como algo natural”, conta Angelo.

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