TV Brasil celebra 90 anos de Candeia com programa inédito do Samba na Gamboa

Foto: Divulgação TV Brasil

Em homenagem ao cantor e compositor Candeia (1935-1978), a TV Brasil exibe uma edição especial do Samba na Gamboa em tributo ao artista na data em que o bamba faria 90 anos. Neste domingo (17), excepcionalmente mais cedo, às 12h30, o programa inédito resgata clássicos da obra do saudoso artista.
 
Para cantar clássicos do repertório autoral do portelense e conversar sobre seu legado na cena da cultura popular, a apresentadora Teresa Cristina recebe o cantor Bico Doce. Anfitriã e convidado interpretam sucessos como "O Mar Serenou", "Preciso me Encontrar", "Testamento de Partideiro" e "Viver", entre outras músicas do sambista identificado com a Portela.
 
Produção original da TV Brasil, o programa Samba na Gamboa pode ser acompanhado no YouTube da emissora pública e está no app TV Brasil Play. Com janela alternativa na telinha aos sábados, às 23h, a roda de samba ainda é transmitida na Rádio Nacional, também aos sábados, mais cedo, ao meio-dia, para toda a rede.
 
Trajetória do sambista portelense
 
Voz conhecida dos pagodes e das escolas de samba de vários estados do país, o intérprete Bico Doce bate um papo com Teresa Cristina sobre a influência do consagrado sambista no cenário da música popular. Antônio Candeia Filho, mais conhecido simplesmente como Candeia, partiu cedo, com apenas 43 anos, em 1978.
 
Na conversa, eles falam sobre o legado de Candeia, ícone do Carnaval e figura associada à agremiação Azul e Branco de Oswaldo Cruz. O compositor fez vários sambas históricos e vitoriosos para a Portela, uma das principais escolas da folia carioca.
 
A discografia do homenageado reúne cinco projetos. Já com sérios problemas de saúde no final da década de 1970, Candeia conseguiu finalizar a gravação do último trabalho. Com o título "Axé - Gente Amiga do Samba", o disco é considerado um dos álbuns mais relevantes da história do gênero e foi lançado pouco após sua morte.
 
"Candeia era muito verdadeiro em tudo que fazia. O próprio jeito de interpretar com a voz grave e potente era único. Ele é a luz da minha inspiração", define Bico Doce ao destacar a importância do sambista que marcou época e fez canções lembradas na interpretação de Clara Nunes e Cartola, como "O Mar Serenou" e "Preciso me Encontrar", respectivamente.
 
O programa da TV Brasil revela que o cantor e compositor também atuou como investigador policial até 1965. Naquele ano, Candeia foi baleado em um acidente de trânsito e sofreu paralisia na coluna. A partir dessa ocasião, a obra do bamba ganha ares de nostalgia com letras repletas de tristeza.
 
A apresentadora conta que fez questão de reverenciar Candeia na atração do canal público. "O ponto de partida da minha carreira foi ouvindo e interpretando as músicas desse gênio da cultura brasileira. Ele cantou e compôs muita coisa boa, mas principalmente fez a gente pensar no que é ser sambista. Se hoje eu estou aqui, eu devo muito a ele", revela Teresa Cristina na abertura do Samba na Gamboa.
 
Carreira do convidado Bico Doce
 
Convidado na tradicional roda de samba exibida na telinha da emissora, Cremílson de Jesus Silva, conhecido pelo nome artístico de Bico Doce, nasceu em 1977, um ano antes do falecimento de Candeia, a quem rende tributo na produção realizada pela TV Brasil.
 
O intérprete de samba-enredo teve passagens por agremiações do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. No carnaval carioca, Bico Doce ganhou destaque em escolas como Império Serrano, Leão de Nova Iguaçu, Portela e Mangueira, além da União de Maricá. Já na capital paulista, defendeu as agremiações Vai-Vai e Mocidade Unida da Mooca.

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