Canal Brasil estreia série que revisita a revolução estética de Secos & Molhados na ditadura


Os anos 1970 no Brasil foram marcados pela opressão e censura. Nos 'Anos de Chumbo' da ditadura militar, a música se tornou a principal forma de expressar críticas ao governo. É nesse contexto que Ney Matogrosso e Gerson Conrad surgem como nomes que desafiam as normas político-sociais. Agora, quase cinco décadas depois, eles se reúnem e relembram suas suas lutas contra a ditadura em "Primavera nos Dentes – A História dos Secos & Molhados", nova série produzida pela Santa Rita Filmes, com estreia no dia 31 de outubro no Canal Brasil.

O Secos & Molhados protestava contra a ditadura de diversas formas. A crítica estava presente desde à maquiagem icônica - que se conectava com o teatro de vanguarda - até às poesias das canções, que traziam mensagens nas entrelinhas. A necessidade de expressar o descontentamento de forma sutil, no entanto, não era uma escolha estética, mas uma estratégia de sobrevivência e resistência imposta pela forte censura.

"A própria repressão suscita um processo criativo muito oportuno, ou seja, é porque desenvolve a possibilidade de metáfora. A gente só conseguia se comunicar com metáforas porque não adiantava você ser direto. Não existia o pragmatismo de você tentar ser explícito, porque o que era explícito era censurado. Não tinha a menor chance de passar", explica Paulo Mendonça, poeta e letrista de várias canções do grupo.

A série documental, dividida em quatro episódios, revisita a trajetória de um dos grupos mais revolucionários da música brasileira, que em plena ditadura, provocou uma revolução estética e comportamental. “Os anos de chumbo em nosso país são relatados através da narrativa da série e mesclado às ricas composições desta banda que driblou com maestria a censura no Brasil” relata o produtor Marcelo Braga. O projeto traz depoimentos exclusivos, imagens de arquivo e um mosaico afetivo de colaboradores e fãs do celebrado grupo.

Baseada no livro homônimo de Miguel De Almeida, a produção traz um panorama político-cultural do período, com nova abordagem: ''Acredito que tenha estabelecido um enfoque diferenciado ao mostrar como o teatro brasileiro de vanguarda, do Arena ao Oficina, teve impacto na renovação da música'', conta o diretor e roteirista. ''Chico, Edu Lobo, Caetano e o próprio Ney Matogrosso possuem uma raiz comum, que é o teatro inquieto daquela época. O personagem de Renato Borghi em ‘O rei da vela', dirigido por José Celso Martinez Corrêa, lançava mão de uma bela maquiagem. Chico começa no teatro, em ‘Morte e vida Severina’; Edu musicou vários trabalhos do Arena; Caetano idem. Essa relação da música com o teatro jamais foi estabelecida anteriormente''.

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