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| Isabel Fillardis, Mari Palma e Glória Pires. Divulgação: CNN Brasil |
O episódio desta quinta-feira (11) do Na Palma da Mari, que vai ao ar às 20h, reúne Glória Pires e Isabel Fillardis em uma conversa franca sobre amizade feminina, relações de trabalho no audiovisual, experiências de assédio moral e os processos de autoconhecimento que marcaram suas trajetórias. Ao lado de Mari Palma, as atrizes revisitam episódios pessoais e profissionais, costurando vivências que atravessam gerações de mulheres no entretenimento.
A força da amizade feminina
Glória Pires abre a conversa destacando o que considera um ponto de desconexão entre as mulheres: ''As mulheres estão muito desconectadas de algo fundamental, que é a amizade feminina. Essa rede de apoio. As mulheres, especialmente as mais jovens, precisam urgentemente disso. Eu não gosto de dar conselho, mas tem coisas que a gente aprende.'' Ela explica que essa visão nasceu também a partir da maternidade: ''Como tenho três filhas, e levo isso para elas e também para o meu filho, sei o quanto a gente precisa se apoiar. Precisamos estar juntas e distinguir o que é a historinha que contam sobre nós e o que é a nossa realidade. Isso é empoderamento.''
Isabel Fillardis retoma o tema pela via histórica e simbólica: ''A mulher sempre teve poder: o poder de gestar muitas coisas, a intuição, a estratégia. O homem, ao longo da história, foi percebendo isso e vendo que poderia ter um ‘problema’ aí. Daí vem o abafamento da essência feminina, a mulher ser chamada de bruxa por conta desse sexto sentido, dessa intuição de perceber o que está por trás das palavras. A pessoa fala uma coisa, mas quer dizer outra. O homem, às vezes, não tem essa sintonia.''
Bastidores: presença feminina e decisões de poder
Ao falar sobre o mercado audiovisual, Glória lembra o quanto era raro ver mulheres em funções técnicas quando iniciou sua carreira: ''Era muito raro ver mulheres atrás das câmeras. No figurino, caracterização e direção de arte isso era comum, mas você não via uma operadora de câmera, uma fotógrafa, uma diretora de fotografia, uma operadora de som.'' Com o tempo, ela passou a trabalhar ativamente para mudar esse cenário: ''Ao longo da minha trajetória, fui conhecendo muitas dessas profissionais, e trouxe várias para a equipe de 'Sexa'. Hoje, nossa equipe é 90% feminina.''
A atriz destaca ainda o método coletivo de construção do filme: ''Algo fundamental para o filme foi que o roteiro foi lido por todas as mulheres da equipe. E a pergunta era sempre a mesma: você percebe algo que não está de acordo? Algo que incomoda? Alguma parte forçada? Algo que não esteja no consenso? O que você enxerga aqui? Essa escuta é essencial. E permitir o acesso de pessoas que fogem do padrão estabelecido também é fundamental.''
Isabel, por sua vez, relata episódios marcantes vividos ainda jovem: ''Eu passei por alguns momentos desconfortáveis. Era muito jovem, e por sorte minha mãe, que virou minha empresária e depois minha assessora, sempre me acompanhava. Mesmo assim, vivi situações escrotas e desconfortáveis.'' Ela cita um caso específico: ''Uma das mais difíceis foi quando ia interpretar uma protagonista. Hoje, vejo claramente que aquela personagem foi tirada de mim. Não posso afirmar todos os motivos pelos quais não fiz o papel, porque tudo o que foi dito sobre mim e sobre minha conduta era irreal. Na reunião em que disseram ‘não’, só havia homens. Hoje, com compliance, isso não poderia acontecer.''
Autoconhecimento, terapia e vida pessoal
Glória compartilha a influência da família e do início precoce na carreira: ''Meus pais eram muito pé no chão. Meu pai é artista, e a vida de artista é inconstante: a gente sabe o que tem hoje, mas não sabe o que terá amanhã. Essa seriedade e esse compromisso eram muito presentes. E eu, além disso, era tímida, tinha várias questões com a aparência e, ao mesmo tempo, fazia televisão.''
Ela conta que, apesar das inseguranças, o trabalho sempre aparecia: ''Por algum motivo que eu nem sei explicar, os convites e trabalhos surgiam o tempo todo. Claro que eu não queria deixar nada escapar, queria garantir minha sobrevivência no mercado. Mas tudo isso vinha acompanhado de muitas questões, muita insegurança e uma sensação constante de inadequação.''
Glória também revisita o impacto da pandemia em sua vida: ''Eu precisei passar por vários processos da vida: a perda dos meus pais, a chegada dos meus filhos, que te colocam em outro lugar. A pandemia, para mim, foi o grande momento de virada de chave. Talvez pela circunstância extrema que vivíamos, aquele medo, aquela sensação de limite, e o pavor de não saber onde tudo aquilo ia dar.'' Ela completa: ''Toda a situação de confinamento, ter os filhos morando de volta em casa, essa convivência renovada com pessoas que já tinham suas vidas independentes, foi muito desafiadora. Isso me levou para a terapia. E a terapia começou a destampar um monte de coisas que eu nem imaginava.''
Isabel encerra reforçando o vínculo entre elas: ''Nunca trabalhamos juntas. Então, nossa amizade sempre foi sem convenções, uma amizade de match mesmo. Deu match total. Já passamos por muitas coisas: adversidades pessoais, renascimentos. Ela sempre foi alguém com quem eu compartilhava, e ela também compartilhava comigo.''
Na Palma da Mari
Toda quinta-feira, às 20h (horário de Brasília), no canal CNN Pop no YouTube.
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