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| Victor Irajá, âncora do CNN Money, e Cristina Canas, editora-executiva da Broadcast, entrevistam Reinaldo Le Grazie, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central e sócio da Panamby Capital |
O ex-diretor de Política Monetária do Banco Central Reinaldo Le Grazie projeta um ciclo consistente de flexibilização monetária ao longo de 2026, com seis cortes de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, o que levaria os juros básicos para 12% ao fim do ano. A avaliação foi feita em entrevista ao Capital Insights, programa do CNN Money em parceria com a Broadcast.
Segundo Le Grazie, a comunicação recente do Comitê de Política Monetária (Copom) foi adequada ao sinalizar a abertura do ciclo de cortes. ''Faz sentido o Banco Central sinalizar queda e, em março, deve dar pistas mais claras sobre o ritmo'', afirmou. Apesar da redução esperada, ele pondera que os juros seguirão elevados em termos reais. ''Doze por cento de juro básico e cerca de 9% de taxa real ainda é muita coisa. A renda fixa continuará bastante atrativa.''
Ao comentar os desdobramentos do caso Master, Le Grazie defendeu a atuação do Banco Central, ressaltando que a autoridade seguiu os protocolos previstos de supervisão e adotou medidas técnicas adequadas. Para ele, processos de intervenção e liquidação fazem parte do funcionamento normal do sistema financeiro. ''Isso acontece com frequência em outros países, como nos Estados Unidos. O problema específico do caso Master são os indícios de fraude'', disse.
O economista afastou a possibilidade de risco sistêmico, classificando-a como mínima. Segundo ele, o sistema financeiro brasileiro segue sólido, com bancos grandes e bem capitalizados, ao mesmo tempo em que a inovação tecnológica ampliou a concorrência com instituições de diferentes perfis. ''Foi uma ação pontual, sem potencial de contaminação mais ampla'', avaliou.
Sobre a atividade econômica, Le Grazie estima crescimento em torno de 1,8% em 2026, sem descartar surpresas positivas associadas ao ano eleitoral e ao impulso dos gastos públicos. No câmbio, ele projeta a continuidade de um dólar mais fraco, embora alerte para riscos externos. ''Uma eventual mudança no cenário político nos Estados Unidos pode inverter esse movimento e prejudicar países como o Brasil.''
Na avaliação do ex-diretor do BC, até o momento, o governo Trump teve efeitos líquidos positivos para os ativos brasileiros, com saída de capital dos Estados Unidos em direção a mercados emergentes. ''Esse movimento se intensificou nos últimos meses e valorizou os ativos nacionais de forma surpreendente para o mercado'', afirmou.
O cenário fiscal também foi abordado na entrevista. Para Le Grazie, o tema tende a perder protagonismo ao longo de 2026, diante do ambiente eleitoral. ''A discussão fiscal fica adormecida até 2027. Teremos um ano marcado por discursos mais populistas, e as decisões estruturais devem ficar para o próximo governo'', disse, destacando que será inevitável uma ação futura para conter o crescimento da dívida pública.
A entrevista aborda ainda o baixo apetite por IPOs no mercado doméstico, a preferência de investidores estrangeiros por empresas e bancos de grande porte e consolidados, além das indicações recentes para os comandos do Federal Reserve e do Banco Central do Brasil.
A entrevista completa do Capital Insights vai ao ar nesta quinta-feira, às 19h, no CNN Money.
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