Corpos Periféricos chega ao fim destacando futebol trans, coletividade e futuro nas periferias

''Alcatéia'', último episódio inédito de Corpos Periféricos, estreia em 2/3, às 18h, no SescTV.
Foto: Bento Marzo.

A segunda temporada da série Corpos Periféricos, dirigida por Luis Carlos de Alencar e Vladimir Seixas, chega ao seu último episódio inédito, na segunda-feira 2/3, no SescTV, com uma história em que o futebol é menos espetáculo do que travessia. Ao longo de quatro episódios de 17 minutos, a série investiga a prática coletiva de esportes nas regiões periféricas do Rio de Janeiro, perguntando como, por meio do jogo, desportistas constroem uma existência ao mesmo tempo lúdica, poética e política.
 
No episódio Alcatéia, a câmera acompanha Pedrinho, artilheiro e um dos principais nomes do futebol transmasculino brasileiro. Ao lado de seu time, o Trans United FC, ele viaja a São Paulo para disputar um campeonato que poderá ser o último de sua carreira como jogador.
 
Desde menino, conta Pedrinho, a bola já desenhava um destino. Morava em um prédio onde as meninas brincavam de boneca; ele, antes mesmo de qualquer transição de gênero, procurava os outros meninos para jogar. O gesto, simples e insistente, atravessa o tempo: jogar é, para ele, uma forma de permanecer fiel a si mesmo. O documentário recolhe essa memória sem sublinhados, deixando que a narrativa se construa na cadência dos treinos, nos deslocamentos e nos silêncios antes das partidas.
 
Em São Paulo, o campeonato ganha contornos de rito de passagem. Pedrinho afirma que será sua despedida dos gramados como atleta. A decisão não carrega tom de encerramento, mas de deslocamento. Ele pretende atuar nos bastidores, seja criando um novo time, seja fortalecendo o próprio Trans United FC dentro do cenário do futebol trans. O campo, assim, se amplia. Se antes era o espaço delimitado pelas quatro linhas, agora inclui a organização, a formação de novos jogadores, a construção de estruturas ainda frágeis.
 
O episódio Alcatéia evita a narrativa heroica e aposta na dimensão coletiva do esporte. O título sugere isso, afinal ninguém joga sozinho. A força do grupo, sua capacidade de se reconhecer e se proteger são o que sustenta a experiência. Ao acompanhar Pedrinho e seus companheiros, a série reafirma uma das questões centrais de Corpos Periféricos: como o esporte, nas bordas da cidade, produz pertencimento e projeta futuro.

Anderson Ramos

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