Premiada internacionalmente, Tânia Maria fala ao Cinejornal, do Canal Brasil, sobre a nova fase no cinema: ''Quero continuar sendo atriz''

Foto: Divulgação

O Cinejornal, exibido pelo Canal Brasil, apresenta no dia 16 de fevereiro, às 19h30, uma entrevista inédita com Tânia Maria, atriz potiguar que se tornou uma das revelações recentes do cinema brasileiro e essa semana venceu mais um prêmio como Melhor Atriz Coadjuvante, desta vez no International Cinephile Society Awards (ICS Awards). 

Costureira e moradora do povoado Cobra, na zona rural de Parelhas (RN), ela relembra o convite inesperado para atuar em ''Bacurau'' (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e comenta como a experiência transformou sua vida aos 72 anos. Agora, ela está na expectativa para ver “O Agente Secreto” no Oscar, indicado em quatro categorias: Melhor Elenco, Melhor Filme Internacional, Melhor Filme e Melhor Ator para Wagner Moura.

Ao longo da conversa, Tânia fala sobre sua trajetória no audiovisual, o carinho do público, o apoio da família e o prazer em continuar trabalhando e estudando, agora também como atriz. Aos 79 anos, ela celebra a sequência de trabalhos no cinema e na televisão, sem abandonar a costura, atividade que segue exercendo ao lado da filha.

Tânia conta que o primeiro convite para o cinema veio de forma totalmente inesperada, em ''Bacurau''. Em 2025, a atriz ganhou destaque com sua personagem Dona Sebastiana em ''O Agente Secreto'', e lembra que chorou de alegria e se dedicou integralmente à preparação das cenas. Em tom bem-humorado, recorda que chegou confiante ao set, certa de que tinha decorado todo o texto, até ouvir do diretor que o roteiro havia mudado. ''Eu tinha estudado tudo, achando que estava pronta, e ele disse que tinha alterado as cenas'', relembra rindo. 

A atriz também se emociona ao falar da sessão do filme "O Agente Secreto" no Rio Grande do Norte, sua terra natal. Ela conta que já assistiu ao longa diversas vezes, mas que essa sessão em especial ficou marcada pela presença da família e da comunidade. ''Quando eu falo da minha família eu choro. Eles me apoiam muito e minha família é linda! Onde a gente mora não tem cinema e quando vi todo mundo com a camisa escrita ‘Dona Sebastiana’ não consegui falar nada. Só chorei e aplaudi'', afirma.

Na entrevista, Tânia reflete ainda sobre o rumo inesperado que sua vida tomou após o cinema. Ela diz que nunca planejou seguir carreira artística, apenas aceitou filmar por gostar de dramatização, algo presente desde sempre em sua vida. Mesmo com o reconhecimento, mantém os pés no chão: continua costurando, produzindo tapetes e conjuntos de banheiro e afirma que não se sente limitada pela idade. ''Idade é o que a pessoa quer, eu não sou velha. Eu trabalho, estudo e quero continuar sendo atriz'', diz.

Além de ''Bacurau'', Tânia Maria integrou o elenco do documentário ''Seu Cavalcanti'' (2024), de Leonardo Lacca, e do longa de ficção ''Almeidinha'' (2025), de Gustavo Guedes e Julio Castro. Ela interpreta Dona Sebastiana no premiado longa ''O Agente Secreto'', de Kleber Mendonça Filho. A atriz também foi escalada para ''A Adoção'', novo longa de Allan Deberton, está no elenco de ''Yellow Cake'' (2026), de Tiago Melo, que estreou no Festival de Roterdã, e da série ''Delegado'' (2026), nova produção do Canal Brasil, produzida por Kleber Mendonça Filho e Emilie Lescaux; escrita e dirigida por Leonardo Lacca.

Anderson Ramos

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