''Paulistar'' explora cultura, história e diversidade do Bixiga neste sábado

Foto: Globo/Divulgação

O 'Paulistar' dedica o episódio deste sábado (04) ao Bixiga, nome popular do bairro oficialmente chamado Bela Vista. Um dos lugares mais visitados da capital, o território é reconhecido como um importante eixo de cultura e diversidade. Localizado na região central da cidade, o Bixiga consolidou-se como um ponto de encontro entre diferentes matrizes culturais, reunindo influências afro-brasileiras, italianas e nordestinas que ajudaram a moldar sua identidade ao longo do tempo. 

Guiada por Sarah Brandão, moradora de longa data que define o local como sinônimo de ancestralidade, a apresentadora Valéria Almeida percorre espaços que ajudam a contar essa história. O passeio começa por um cartão-postal da região, a Escadaria do Bixiga, construída em 1929 para ligar o Morro dos Ingleses à parte mais baixa da área. O roteiro segue pela Praça Dom Orione, espaço que integra a vida cotidiana da comunidade e que, aos domingos, recebe a tradicional Feira de Antiguidades. Na sequência, Valéria conhece a Rua 13 de Maio, um dos principais eixos culturais locais. Batizada em referência à assinatura da Lei Áurea, em 1888, a via reúne cantinas, bares, brechós e eventos tradicionais, como a Festa de Nossa Senhora Achiropita, realizada todos os anos no mês de agosto.

A trajetória apresentada no episódio também passa pela história do Quilombo Saracura, formado no final do século XIX por pessoas escravizadas e libertas que encontraram refúgio na área. Parte desse passado é apresentada na Casa de Dona Yayá, espaço que abriga exposições dedicadas ao quilombo e à formação da região. O legado do Saracura se conecta diretamente ao samba, já que foi ali que surgiu, em 1930, o cordão carnavalesco que daria origem à Escola de Samba Vai-Vai, a mais vitoriosa de São Paulo. Durante o programa, Valéria participa de uma roda de samba ao lado de integrantes da velha-guarda da Vai-Vai e de moradores que mantêm viva a tradição musical, reforçando o papel do Bixiga como território de resistência e convivência.

O episódio também destaca a vocação teatral do local. Com quase vinte salas espalhadas pelas redondezas, o Bixiga abriga o maior número de teatros da capital. Entre eles está o Teatro Oficina, fundado em 1961 e reconhecido pela arquitetura projetada por Lina Bo Bardi e pela trajetória do diretor José Celso Martinez Corrêa, figura central da cultura brasileira.

A gastronomia ocupa outro papel importante no percurso. Valéria visita cantinas italianas, conhece histórias de famílias que preservam receitas há gerações e experimenta pratos que ajudaram a consolidar a área como referência culinária da cidade. O roteiro inclui ainda uma parada na Cannoleria do Bixiga, onde o cannoli, doce italiano, se tornou símbolo da comida de rua local.

Na reta final, Valéria visita a Vila Itororó, conjunto arquitetônico inaugurado em 1922 e tombado pelo patrimônio histórico. Após décadas de abandono, o espaço foi restaurado e hoje funciona como centro cultural, com eventos gratuitos, exposições, oficinas e apresentações musicais. É ali que Valéria acompanha um festival de cultura nordestina e encontra a dupla Caju e Castanha, mestres da embolada, manifestação musical marcada pelo improviso, pela rapidez dos versos e pelo acompanhamento do pandeiro. Os artistas encerram o episódio com uma homenagem musical à região.

O primeiro 'Paulistar' de abril evidencia diferentes elementos que ajudam a compreender por que o Bixiga segue como uma das referências culturais mais importantes da capital paulista.

Com direção de Beto Silva, produção de Nathalia Pinha e direção de gênero de Claudio Marques, o 'Paulistar é exibido aos sábados, logo após a edição especial de Terra Nostra, na TV Globo, e apresenta um retrato da diversidade cultural e social de São Paulo.

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