Canal Futura estreia ''Pipo e Fifi'' com foco no combate à violência infantil

Episódio 06 – Conselho Tutelar. Créditos: Reprodução.

Em um cenário onde o Brasil registra, em média, sete denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes por hora, o Canal Futura lança a série ''Pipo e Fifi'' com ensinamentos sobre corpo, limites e segurança dos jovens. A produção estreia hoje, 18 de maio – Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes –, com exibição de segunda a sexta-feira, às 10h, no Canal Futura e disponibilidade gratuita no Globoplay.

A série nasce como uma extensão do programa Crescer sem Violência, iniciativa da Fundação Roberto Marinho em parceria com o Unicef e Childhood Brasil. Ao longo de 15 episódios com cerca de 5 minutos, e por meio dos personagens Pipo, Fifi e Cleo, a animação aborda de forma lúdica temas como autonomia corporal, consentimento, segredos e redes de apoio.

A nova programação também apresenta temas contemporâneos como a segurança digital – combatendo a exposição acidental à pornografia online – e a desconstrução de estereótipos de gênero – como nos episódios “Meninos podem dançar” e “Empoderamento feminino”. A série também atua como uma guia prático para a rede de proteção. No episódio “Conselho Tutelar”, a animação explica que o órgão existe para proteger, não punir, e encerra a temporada ensinando o uso do Disque Denúncia 100, canal nacional para denúncias de violações de direitos.
 
A coordenadora do projeto Crescer sem Violência, Priscila Pereira, aponta como o objetivo da série era trazer um tom convidativo e acolhedor à discussão. “É muito importante falarmos dessas temáticas de uma perspectiva de proteção, saúde, diálogo aberto e franco com crianças de todas as idades. Trazer a programação para a tela do Futura contribui para a importância que enxergamos na prevenção e enfrentamento às diferentes violências contra crianças e adolescentes, principalmente as sexuais”.
 
O mais recente Anuário Brasileiro de Segurança Pública, de 2024, apontou que os índices de violência sexual apresentaram um crescimento na infância e juventude dos brasileiros, com 34.500 registros de estupro de vulnerável contra crianças de até 13 anos – sendo 85% meninas e 60,6% crianças negras. Outro dado preocupante foi o aumento de 14,1% da produção e distribuição de material de abuso sexual infantil em apenas um ano.
 
Nesse contexto, o objetivo principal é traduzir conceitos complexos e tabus para o universo infantil. A conscientização é essencial para combater a baixa notificação de casos. Estima-se que apenas 10% dos casos de violência infantil no Brasil são oficialmente registrados. Ao educar e conscientizar as crianças sobre como identificar situações e toques inadequados, a série fortalece a rede de proteção e encoraja o relato dos jovens brasileiros.
 
Episódio 15 – Família. Créditos: Reprodução

Confira a programação:

Episódio 01 – Meu corpo é só meu – 18 de maio, às 10h
Fifi tenta puxar Gomes pelo rabo e o cachorro reage: não quer ser tocado assim. O gesto abre uma conversa sobre partes íntimas e autonomia corporal. Cléo explica que cada pessoa é dona do próprio corpo — mesmo sendo criança.

Episódio 02 – Consentimento – 19 de maio, às 10h
Durante uma brincadeira de cosquinha, Fifi pede para parar — e Pipo insiste. Cléo transforma o conflito em lição: consentimento pode mudar, e o "não" precisa ser sempre respeitado. As crianças aprendem a reconhecer limites.

Episódio 03 – Dia de praia – 20 de maio, às 10h
Pipo e Fifi saem correndo pelados para o mar. Cléo não os repreende, mas explica. O episódio distingue contextos privados e públicos, mostrando que não há nada de errado com o corpo, mas há momentos para cada situação.

Episódio 04 – De onde vêm os bebês? – 21 de maio, às 10h
Pipo acha que bebês caem de avião. Fifi aposta na cegonha. Cléo desfaz os dois mitos com linguagem adaptada à infância. O consentimento aparece naturalmente, e fica claro que esse tipo de carinho é só para adultos.

Episódio 05 – Um dia de chuva – 22 de maio, às 10h
Entediados, Pipo e Fifi clicam num pop-up disfarçado de sorteio, se deparando com conteúdo adulto. A reação de Cléo é acolhedora: a culpa não é deles. O episódio aborda exposição acidental à pornografia e ensina segurança digital.

Episódio 06 – Conselho tutelar – 25 de maio, às 10h
A visita do conselheiro tutelar Otávio apavora Fifi e Gomes, que acham que serão presos. O mal-entendido vira oportunidade: Otávio explica que o Conselho Tutelar protege crianças, e que qualquer uma pode pedir ajuda.

Episódio 07 – O que se faz no banheiro? – 26 de maio, às 10h
Cléo flagra Pipo, Fifi e Gomes fazendo cuidados corporais na sala. Sem repreensão, ela explica que cuidar do corpo não é errado — mas pertence ao espaço privado. O episódio constrói noções de intimidade com leveza e humor.

Episódio 08 – Segredos – 27 de maio, às 10h
Pipo conta que uma colega sofre violência e foi orientada a não falar. Cléo ensina a diferença entre segredos bons e segredos perigosos — estes precisam ser compartilhados com adultos de confiança.

Episódio 09 – Meninos podem dançar – 28 de maio, às 10h
Pipo chega abalado: foi ridicularizado por dançar e chorar. Cléo acolhe seus sentimentos e desmonta estereótipos de gênero com exemplos reais. O episódio reforça que emoções e interesses não pertencem exclusivamente a um gênero.

Episódio 10 – Empoderamento feminino – 29 de maio, às 10h
Um colega diz a Fifi que ser goleira não é coisa de menina. Cléo responde com sua própria história: de família numerosa à primeira prefeita negra de Vila Segura. O episódio trabalha igualdade de gênero de forma inspiradora.

Episódio 11 – Pessoas de confiança – 1 de junho, às 10h
Surge a ideia de que adultos sempre devem ser obedecidos. Cléo intervém: nem todo adulto é automaticamente confiável. O episódio apresenta critérios para identificar pessoas seguras e estratégias na prevenção de violência.

Episódio 12 – Menstruação – 2 de junho, às 10h
Fifi ouve adultos falando sobre menstruação e não entende o que é. Cléo explica com naturalidade o funcionamento do corpo feminino e as mudanças da puberdade. Um episódio sem tabu, essencial para meninas e meninos.

Episódio 13 – O pezinho de jabuticaba – 3 de junho, às 10h
Pipo e Fifi quebram um vaso especial de Cléo e precisam lidar com culpa, medo e responsabilidade. O episódio mostra que errar faz parte e que a forma de lidar com o erro é o que importa.

Episódio 14 – Castigos físicos – 4 de junho, às 10h
Fifi repete uma frase comum sobre palmadas. Cléo não deixa passar: bater, humilhar e ameaçar crianças é errado e proibido por lei. O episódio confronta uma prática ainda naturalizada e oferece uma nova perspectiva.

Episódio 15 – Discando o 100 – 5 de junho, às 10h
Após Pipo confundir serviços de denúncia, Cléo explica o Disque 100 — canal nacional para denunciar violações de direitos de crianças. Depois de aprender sobre corpo e direitos, as crianças recebem uma ferramenta de ação.

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