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| Foto: Reprodução |
Após um período marcado por juros elevados, o mercado imobiliário começa a enxergar perspectivas mais positivas. Para Rodrigo Abbud, sócio e head de Real Estate do Pátria Investments, a expectativa de queda da taxa Selic tende a beneficiar os fundos imobiliários, tanto pelo aumento da atratividade para investidores quanto pela valorização das cotas.
Abbud é o convidado desta semana do programa Capital Insights, que vai ao ar nesta quinta-feira (28), às 19h, no CNN Money. Segundo o executivo, embora os juros ainda representem um desafio para o setor, o mercado já começa a reagir diante da perspectiva de queda da taxa básica. ''O que mais atrapalha é a tendência de alta. Quando existe uma perspectiva de redução, mesmo para patamares de 12% ou 13%, isso já ajuda bastante a indústria'', afirmou.
O empresário destacou que o mercado imobiliário depende diretamente da oferta de crédito e que o custo elevado do financiamento dificulta novos empreendimentos, especialmente voltados à classe média. Ainda assim, ele avalia que a combinação entre juros em queda e o amadurecimento da indústria de fundos imobiliários cria um ambiente mais favorável para o setor nos próximos anos.
Fundos imobiliários ganham escala e atraem novos investidores
Abbud também ressaltou a evolução do mercado brasileiro de Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) nas últimas duas décadas. Atualmente, o segmento reúne cerca de 3,2 milhões de investidores, movimenta aproximadamente R$ 500 milhões por dia e soma cerca de R$ 200 bilhões em patrimônio.
Segundo ele, o aumento da liquidez dos fundos vem ampliando o interesse de diferentes perfis de investidores, incluindo institucionais. ''No passado, o principal questionamento era a falta de liquidez. Hoje, temos um mercado muito mais desenvolvido, capaz de atrair investidores maiores e diversificar ainda mais a base de participantes'', explicou.
Logística segue aquecida; escritórios mostram recuperação
Durante a entrevista, o executivo destacou os segmentos mais promissores do mercado imobiliário. Para ele, os galpões logísticos continuam registrando forte demanda, impulsionados pela expansão do e-commerce e pela modernização das cadeias de distribuição.
Já o mercado de escritórios, embora ainda sofra reflexos das mudanças provocadas pela pandemia de COVID-19, começa a apresentar sinais consistentes de recuperação. A vacância vem recuando, enquanto os ativos ainda são negociados entre 20% e 30% abaixo do valor considerado ideal, abrindo espaço para valorização nos próximos anos.
Pátria aposta na consolidação da indústria
Após uma série de aquisições nos últimos anos, o Pátria Investments concentra agora seus esforços na integração dos negócios e na consolidação de sua plataforma imobiliária. Segundo Abbud, o ritmo de novas aquisições diminuiu porque a prioridade passou a ser o crescimento orgânico e a simplificação da estrutura dos fundos.
''O mercado se beneficia de veículos maiores. Fundos com mais escala atraem mais investidores, oferecem maior previsibilidade de dividendos, mais liquidez e mais estabilidade para o cotista'', concluiu.
Atualmente, o Pátria administra cerca de R$ 40 bilhões em ativos imobiliários, resultado de aquisições que incluem operações como VBI, Credit Suisse Hedging-Griffo, Genial, Vectis e RBR. Para Rodrigo Abbud, o próximo desafio será consolidar estratégias semelhantes, fortalecendo a competitividade da indústria e ampliando seu potencial de crescimento.
