Morre Benedito Ruy Barbosa, autor de clássicos como 'Pantanal', 'Renascer' e 'O Rei do Gado'

Foto: Globo/R. Marques

Autor de grandes histórias da TV brasileira, Benedito Ruy Barbosa contava seus casos com uma riqueza incrível de detalhes. Lembrava o cheiro, a cor, a ocasião e as pessoas. Amava a terra, a sua família e o legado que construiu – e que ficará eternizado. Benedito morreu hoje, dia 07 de julho, aos 95 anos, devido a complicações de insuficiência renal crônica. Ele estava internado em São Paulo, e tratava a doença há três anos. O autor deixa quatro filhos, frutos do casamento com Marilene Leonor Barbosa, falecida em 2014, e 11 netos.  
 
Mais velho entre cinco irmãos, o dramaturgo nasceu no dia 17 de abril de 1931, em Gália, no interior de São Paulo, e passou a infância na vizinha Vera Cruz, uma região de cafezais habitada por imigrantes japoneses e italianos, que serviu de inspiração para suas obras. Aos 13 anos, perdeu o pai, e precisou trabalhar cedo para sustentar a família, em diversas atividades, como auxiliar de escritório e vendedor de verduras. Mas escolheu a escrita para expressar toda sua emoção. Diante da falta de perspectiva no interior, mudou-se sozinho para São Paulo, onde passou a estudar à noite e trabalhar durante o dia. 

Em 1954, Benedito passou em um concurso promovido pelo jornal O Estado de São Paulo e foi contratado como revisor. A estreia como repórter aconteceu na editoria de esportes do jornal Última Hora. Depois de trabalhar em outras redações em São Paulo, iniciou sua carreira como autor de novelas em 1966, na TV Tupi, com 'Somos Todos Irmãos'.  
 
Trabalhou ainda na Excelsior e na Record, até ser contratado como assessor especial pela TV Cultura, em 1971. Naquele ano, escreveu a novela 'Meu Pedacinho de Chão', que foi produzida em parceria com a TV Globo e exibida simultaneamente nas duas emissoras. Em 2014 a novela ganhou uma releitura na TV Globo, em tom de fábula contemporânea. 
 
Assinou contrato com a TV Globo em 1976 para escrever 'O Feijão e o Sonho'. Na sequência vieram 'À Sombra das Laranjas' (1977) e 'Cabocla' (1979). Já na década de 1980, escreveu 'Paraíso' (1982), 'Voltei pra Você' (1983), 'De Quina pra Lua' (1985), 'Sinhá Moça' (1986), entre outras. Benedito também escreveu 12 episódios do ‘Sítio do Picapau Amarelo’ na versão de 1977, e a minissérie 'Mad Maria' (2005).  
 
Em 1990, escreveu 'Pantanal' (exibida na extinta Manchete) e, logo depois, de volta à TV Globo, veio 'Renascer' (1993). Com essas tramas, se consolidou como um dos principais responsáveis pela abordagem de temas ligados ao meio rural. As duas novelas ganharam remakes na TV Globo, escritos pelo neto Bruno Luperi, em 2022 e 2024, respectivamente.   
 
Conhecido por criar grandes sagas, Benedito foi autor de mais de 30 novelas, entre elas 'O Rei do Gado' (1996), um de seus maiores sucessos, 'Terra Nostra' (1997) e 'Esperança' (2002). A última trama que assinou foi 'Velho Chico' (2016), novela que se passava na fictícia Grotas do São Francisco, no sertão nordestino.  
 
Em homenagem ao autor, a TV Globo exibe hoje, após o 'Central da Copa', episódio do especial 'Donos da História', inédito na TV aberta. Produzido e exibido pelo canal Viva, na TV por assinatura, em 2017, o programa conta com entrevista de Benedito e de pessoas ligadas à sua trajetória. O Globoplay preparou um trilho especial com as novelas do escritor, destacado na home do streaming da Globo. Essa mesma oferta também estará dentro da página na categoria novelas, e os primeiros seis capítulos das novelas são abertos para não assinantes logados.

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