FUTURO FUTURO, novo filme do cineasta gaúcho Davi Pretto, acaba de ter sua trilha sonora oficial divulgada. Com estreia marcada nos cinemas brasileiros para 23 de julho e com distribuição da Cajuína Filmes, o filme é uma ficção-científica gaúcha de baixo orçamento que se passa em um futuro distópico e investiga o perigo, a estupidez e o absurdo da inteligência artificial em um futuro precarizado, assolado pela constante crise ambiental e o sofrimento coletivo. Parte fundamental na obra, haverá uma sessão especial musicada do filme no dia 28, com a presença dos músicos Carlos Ferreira e Rita Zart, responsáveis pela trilha sonora, na Cinemateca Capitólio em Porto Alegre.
Repleto de referências da literatura ciberpunk de William Gibson e Philip K. Dick, FUTURO FUTURO mistura ficção-científica, questões ambientais, a crise da imagem e desigualdade em uma trama que se passa em um futuro próximo, onde os avanços em inteligência artificial coexistem com o surgimento de uma nova síndrome neurológica. Neste contexto, um homem sem memória de 40 anos chamado K é acolhido por um clickworker solitário de 60 anos na parte empobrecida de uma chuvosa cidade brasileira e, após usar um viciante dispositivo IA em um curso para pessoas com a estranha síndrome, K embarca em uma jornada trágica e absurda para tentar encontrar o seu lugar no mundo.
Composta por Carlos Ferreira e Rita Zart, que já trabalharam com Davi Pretto em “Continente”, a trilha sonora de FUTURO FUTURO desempenha um papel essencial na construção da obra. Sua sonoridade conduz o público a uma atmosfera onírica e sintética ao mesmo tempo que remete à fragilidade do progresso capitalista, refletida em um mundo atravessado por ruídos e relações cada vez mais precárias. Para construir essa ambientação, a trilha combina longas camadas de sintetizadores e samplers analógicos e digitais, ritmos de andamento indefinido e temas melódicos minimalistas que se repetem e retornam em versões invertidas ao longo do filme, reforçando sua identidade sonora e narrativa.
Para construir este ambiente onírico, Carlos Ferreira diz que "o processo de criação da trilha sonora de FUTURO FUTURO partiu não apenas de questões musicais e estéticas, mas também filosóficas, em diálogo com a proposta do filme de tensionar as relações entre tecnologia, inteligência artificial e os processos de esvaziamento da experiência humana. A partir dessas ideias, desenvolvemos uma linguagem sonora baseada em texturas de tempo dilatado, funcionando como uma espécie de filtro aplicado à narrativa, mas no campo da escuta''. E completa lembrando que a música ''se funde aos sons ambientes e ao desenho de som, dissolvendo as fronteiras entre o orgânico e o sintético. (...) esses materiais coexistem e se contaminam mutuamente, refletindo uma das questões centrais da narrativa: um mundo em que o humano e a tecnologia já não podem ser plenamente distinguidos."
Para encontrar a sonoridade ideal em FUTURO FUTURO, Rita Zart lembra que ''ainda na fase de edição, quando eu, chegamos a acreditar em uma estética que somava-se à narrativa de forma mais ativa e rebuscada, conduzindo a uma experiência fílmica quase oposta à que temos hoje. (...) Até que na chegada de um corte quase definitivo, veio a ideia da mudança radical. Firmamos então a intenção de uma camada musical sonhadora, aérea e sintética, que, fundida ao desenho de som, expressasse uma certa desconexão com a realidade crua da narrativa, e que vertesse do arco emotivo das personagens.''
FUTURO FUTURO tem distribuição da Atelier W e Cajuína Filmes e estreia nos cinemas em 23 de julho. A distribuição do filme é patrocinada pelo BNDES através do Patrocínio Cultural No 01/2025 – BNDES – Projetos Audiovisuais de Longa-Metragem.
