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| Foto: Globo/Divulgação |
Em mais de quatro décadas de carreira, Debora Bloch construiu uma trajetória que atravessa o teatro, o cinema e a televisão. Em mais uma edição do 'Globo Repórter Personalidades' que vai ao ar nesta sexta-feira, dia 18, Sandra Annenberg revisita essa história ao lado da atriz e de pessoas que participaram de diferentes momentos de sua vida. Fernanda Torres, Frejat, Guilherme Weber, Luiz Fernando Guimarães, Malu Galli e Joana Jabace estão entre os entrevistados. O programa também reúne relatos do pai de Debora, o ator Jonas Bloch; da mãe, Rebeca; da filha, Julia; e de Bruna, fã que acompanha seu trabalho desde a adolescência.
O filme 'Bete Balanço', de 1984, que ajudou a projetar Debora no cinema e reuniu jovens artistas que se tornariam referências de sua geração, é retratado pelo programa. A atriz tinha 21 anos quando interpretou uma garota que sonhava ser cantora. Frejat relembra a participação na produção e as sessões em que ajudou a atriz a se preparar para cantar no longa. ''Esse filme tem isso de ser o primeiro grande momento de todo mundo'', afirma o músico. Guilherme Weber conta que, anos depois, presenciou a dimensão que a personagem havia alcançado. ''A 'Bete Balanço' virou um estado de espírito. E quem fez esse estado vibrar, e faz até hoje, é a Debora Bloch'', diz.
O filme foi lançado no mesmo ano em que Débora recebeu o Kikito de melhor atriz por 'Noites do Sertão', no Festival de Cinema de Gramado. Ao mostrar a Sandra os prêmios guardados em casa, a atriz relembra o início da carreira. Fernanda Torres também recorda aquele período. ''Nós todas queríamos ser Debora. Ela era moderna, fazia balé com a Deborah Colker, fazia teatro. Logo foi fazer 'Noites do Sertão'. Ela estava largando muito na frente'', brinca.
Na televisão, personagens como Ana Machadão, de 'Cambalacho', marcaram os primeiros anos da atriz na Globo. Em 'TV Pirata', Debora encontrou espaço para explorar uma vertente que já fazia parte de sua formação no teatro. Luiz Fernando Guimarães relembra os bastidores do humorístico e as cenas em que interpretava um amante escondido no armário. Para Debora, a comédia também é uma forma de observar a sociedade: ''O humor requer um pensamento crítico. E eu acho que tenho isso em mim''. A edição acompanha ainda os trabalhos que ampliaram seu repertório dramático, como 'Justiça' e 'Segunda Chamada'. No programa, a diretora artística da produção, Joana Jabace, destaca o processo de preparação da atriz e sua busca por personagens próximos da realidade.
A reportagem chega também a Odete Roitman, personagem que marcou um novo momento de sua trajetória. O processo de construção da personagem envolveu diferentes áreas. Há 26 anos, o cabeleireiro Vini Kilesse participa da caracterização de papéis vividos pela atriz e mostra como testou em uma boneca Barbie o primeiro desenho do cabelo de Odete. Debora reflete sobre a representação de mulheres maduras na televisão e sobre as escolhas feitas para a personagem. ''As mulheres de 60 anos não querem ter o corpo de 30. Elas querem também ter repertório. Humor e inteligência podem ser muito mais interessantes'', diz.
O programa revela também o trabalho de preparação para sua próxima personagem, Ana, da série 'Resposta ao Tempo'. Na história, a personagem reúne antigas integrantes de uma equipe olímpica de revezamento para que voltem a competir na categoria master. Para o papel, Debora começou a fazer aulas de natação. ''Estou tendo que aprender um monte de coisas'', conta a atriz, enquanto a reportagem acompanha um de seus treinamentos.
Filha do ator Jonas Bloch, ela cresceu entre os ensaios, espetáculos e bastidores frequentados pelo pai. No papo com Sandra Annenberg, Jonas relembra a estreia da filha no teatro, aos 17 anos, em 'Rasga Coração'. Debora guarda até hoje um conselho recebido naquela época: ''Meu pai chegou para mim e falou: 'Vai ter sempre aquela pessoa que vai dizer que você é a pior atriz do mundo e aquela que vai dizer que você é a melhor atriz do mundo. Não acredite em nenhuma' ''. Ao rever fotografias da trajetória da filha, Jonas se emociona. ''Dá uma sensação de felicidade, de realização, de que valeu a pena.''
A infância de Debora foi dividida entre duas casas e duas cidades. Rebeca, sua mãe, relembra a separação em uma época em que o divórcio ainda não existia no Brasil e conta como criou as duas filhas. O encontro entre Rebeca e Julia, filha da atriz, reúne três gerações da família. Julia conta que também cresceu acompanhando a rotina de gravações e espetáculos. ''Aprendi a ficar em silêncio no set, a me esconder na coxia. Vivi muito o trabalho da minha mãe'', diz.
A relação com o público é contada por Bruna Taranto, fã que acompanha o trabalho da atriz desde os 12 anos, quando assistiu a 'Andando nas Nuvens'. Ao longo dos anos, ela guardou fotografias, cartas e lembranças dos encontros com Debora. A admiração a levou a estudar teatro, embora mais tarde tenha seguido a carreira de nutricionista.
O 'Globo Repórter Personalidades' em homenagem a Debora Bloch vai ao ar nesta sexta-feira, dia 18, logo após 'Estrelas da Casa'.
