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| Foto: Divulgação |
O Canal Brasil exibe na próxima segunda-feira, 2 de novembro, às 19h30, uma entrevista inédita com Selton Mello. Em conversa com a apresentadora Simone Zuccolotto, no Cinejornal, o ator revisita diferentes momentos de sua trajetória e fala sobre a busca por novos desafios na profissão, os trabalhos recentes no Brasil e no exterior e os projetos que estão por vir. Entre os assuntos abordados estão as filmagens de produções internacionais, a adaptação de ''O Alienista'', clássico de Machado de Assis, e a maneira como a arte pode ajudar a elaborar experiências pessoais de perda.
Ao refletir sobre sua trajetória, Selton destaca a importância de manter viva a vontade de experimentar e descobrir novos caminhos na profissão. O ator relembra a decisão de se dedicar ao cinema e a posterior incursão na direção, experiências que ampliaram suas possibilidades criativas. ''Eu estou sempre em busca do brilho no olho, principalmente numa carreira tão longa, você tem que sempre estar se desafiando, sempre tem que ter coisa nova, uma novidade para te sacudir'', afirma. Para ele, a combinação entre produções comerciais e trabalhos mais experimentais foi fundamental para renovar sua imaginação e sua expressão artística. A conversa também passa pela repercussão de ''Ainda Estou Aqui'' e ''O Auto da Compadecida 2'', filmes que marcaram sua trajetória recente.
A entrevista aborda ainda a experiência de Selton em produções internacionais, entre elas ''La Perra'', coprodução entre Brasil e Chile dirigida por Dominga Sotomayor; ''Zero K'', de Michael Almereyda, ficção científica filmada em São Paulo; e ''I Don’t Even Know Who I Was'', longa dirigido por João Paulo Miranda Maria e rodado em Paris. Ao comentar o contato com outras culturas, idiomas e formas de fazer cinema, o ator ressalta como esses encontros têm contribuído para sua trajetória. ''Conhecer outras culturas, descobrir outras histórias, tem sido, nesse momento da minha vida, uma coisa muito estimulante. E o estímulo é importante para um artista'', conta. Os projetos também representam a oportunidade de interpretar personagens diferentes e explorar novas possibilidades, mantendo o interesse pelo que ainda não experimentou.
Outro tema central da conversa é a relação entre arte, luto e experiências pessoais. Ao falar sobre produções que abordam a morte e a perda, Selton reflete sobre como o trabalho artístico pode transformar vivências dolorosas em narrativas capazes de tocar outras pessoas. O ator compartilha como essa relação atravessa trabalhos recentes e relembra experiências familiares que influenciaram sua maneira de olhar para o tema. ''Eu digo que é a beleza do privilégio espiritual que um ator, que um artista tem, de poder sublimar a dor'', afirma. Em seguida, completa: ''Um artista, ele pega e transforma essa dor em arte, transforma essa dor em beleza, em algo que vai tocar a pessoa lá do outro lado, e as pessoas vão se identificar, vão ficar mexidas também, e isso é muito bonito''.
Selton também comenta ''O Alienista'', adaptação da obra de Machado de Assis na qual interpretará Simão Bacamarte e também assinará a direção. O projeto, ainda em desenvolvimento, marca o encontro do ator com um clássico da literatura brasileira que aborda os limites entre razão e loucura. Ao falar sobre a obra, ele destaca a combinação entre humor e crítica presente na narrativa. “Fazer Machado é uma responsabilidade muito grande e um prazer muito grande”, diz. Para o ator, a história de Simão Bacamarte continua instigante justamente por colocar em questão as fronteiras entre razão e loucura, em uma trama que une comicidade e reflexão.
