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João Emanuel Carneiro fala sobre sua carreira no Donos da História no Canal Viva


João Emanuel Carneiro é o convidado da semana. (Imagem/Divulgação)
Para o programa "Donos da História" que vai ao ar no próximo domingo ás 18:30h, no VIVA, João conta um pouco de sua trajetória até chegar à televisão. "Eu comecei escrevendo histórias em quadrinhos pro Ziraldo, fazia roteiro para as Revistas Pererê e Menino Maluquinho. Aí me encaminhei, não sei como, pro cinema, pra fazer curta. Quando eu tinha 18 anos, fiz o primeiro curta, chamado Zero a Zero", diz o autor. Depois disso, fez roteiros de cinema e acabou trabalhando com vários diretores nos anos 1990. "Meu sonho era me tornar um cineasta, não um roteirista, mas a vida me levou para esse lado de escrever. Fiz Central do Brasil, O Primeiro Dia, Chatô, Deus É Brasileiro, adaptação de A Dona da História e de A Partilha. Fiz vários filmes. E do ambiente que vivia do cinema dos anos 1990 eu cheguei na TV Globo. O Daniel Filho gostava dos meus roteiros de cinema, me chamou pra fazer alguns filmes dele e, depois, me contratou pra entrar pra TV Globo".

O primeiro trabalho na emissora foi em 2000, ao lado de Maria Adelaide Amaral, na minissérie A Muralha, como colaborador, levando uma visão cinematográfica à obra. No ano seguinte também ajudou em Os Mais. Em 2002, integrou a equipe de autores da novela Desejos de Mulher, de Euclydes Marinho, protagonizada por Regina Duarte e Gloria Pires. "Saber contar uma história em duas horas acho que é uma sabedoria. É uma ciência própria. E depois fui trabalhar com TV e conto uma história de 200 horas. Me pergunto se desaprendo de como contar em duas horas e ter essa concisão do cinema. Mas aí acho que consegui trazer um pouco da técnica e da concisão do cinema para o capítulo de novela", explica.

Da Cor do Pecado (2004) marcou a carreira de João Emanuel duplamente: foi sua estreia como autor solo e teve como destaque Taís Araújo (Preta) como a primeira protagonista negra de uma novela da Globo. Em 2006, assinou Cobras & Lagartos. Sua estreia no horário das oito veio em 2008, com a polêmica A Favorita. O autor ousou e começou a trama sem desvendar ao público quem era a vilã e quem era a mocinha: Flora (Patrícia Pillar) ou Donatela (Claudia Raia). Com a imbatível Avenida Brasil (2012), João Emanuel parou o país novamente. A novela entrou para os clássicos da teledramaturgia brasileira com personagens emblemáticos e as maldades da icônica vilã Carminha (Adriana Esteves). Seu trabalho mais recente na televisão foi A Regra do Jogo, em 2015.

Sobre a arte de fazer novelas, João diz que sempre precisa achar um desafio para si. "No caso de Avenida Brasil, era contar a história de uma heroína que fosse uma vilã ao contrário. Fizesse coisas erradas por uma boa razão. Era a Nina. Contra uma outra mulher, que era péssima, detestável, deplorável, porém com alguma qualidade humana, que era a Carminha. Em A Regra do Jogo, é a história de um homem mau que se apaixona pela ideia de ser bom, que era o Romero Rômulo. Em A Favorita, que foi uma novela bem experimental minha, era inverter esses papeis da identificação imediata da mocinha e da vilã. Cobras & Lagartos é uma novela com a figura central de Foguinho, era um Macunaíma sim, um herói sem nenhum caráter. Da Cor do Pecado foi a minha novela mais tradicional. E, sobretudo, acho que tem que ser uma história que você conta durante oito meses para 40 milhões de pessoas, que você acredite que é a melhor história do mundo. Pode até não ser, mas você tem que achar porque você tem que se alimentar dela e vivê-la intensamente", revela o autor.

João diz, ainda, que o escritor de novela é uma pessoa que entra na casa de 40 milhões de pessoas e, por isso é preciso pensar no que está trazendo para elas, não pode ser muito ofensivo. Isso faz com que, segundo ele, o autor exerça uma autocensura. "Ao contrário de um filme, que elas vão ao cinema ver, ou de uma música, que elas escolheram escutar, ali não, você entrou na casa delas. Na sala, diante do sofá. Naturalmente, você vai formando um superego, digamos assim. Você não pode fazer uma história de freiras lésbicas assassinas".

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