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Caminhos da Reportagem da TV Brasil percorre o “Caminho de Cora Coralina”, em Goiás

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(Imagem/Divulgação TV Brasil)
Na quinta (23), às 21h45 na TV Brasil, o programa Caminhos da Reportagem viaja ao interior de Goiás para conhecer o Caminho de Cora Coralina, um trajeto turístico de 300 quilômetros que passa por oito municípios e tem como pontos de partida e de chegada as cidades de Goiás e Corumbá de Goiás, respectivamente. Inspirado na vida e no legado poético de Cora Coralina, o trajeto segue o modelo do Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. E apesar de recente (inaugurado em abril deste ano), o roteiro tem atraído turistas de diversas partes do Brasil e do exterior.

“As pessoas que se dispõem a fazer essa caminhada têm essa oportunidade de um encontro com o Brasil antigo, um Brasil que foi as raízes da nossa cultura e de se colocar (...) na casa velha da ponte, que foi o caminho de volta de Cora Coralina também”, observa Paulo Salles, um dos netos da escritora.

A equipe do programa percorreu o Caminho, onde encontrou ciclistas e peregrinos cheios de histórias para contar. Mário e Marina Castelani começaram a desbravar a pé novos caminhos após Mário passar por um grave problema de saúde. Juntos, já percorreram milhares de quilômetros e é assim que eles dizem redescobrir a vida. “Tive um problema de obesidade, inclusive aliado ao alcoolismo, que quase me destruiu. Felizmente, eu tive um pré-infarto que me alertou pra vida, que eu tinha que mudar”, conta.

Os moradores das localidades que fazem parte do trajeto se prepararam para acolher os visitantes: oferecem refeição, pouso, café da manhã e uma boa conversa. Joaquim Pontieri, conhecido como Quinzinho, é um deles. Mostra com orgulho os quartos preparados para receber os peregrinos e fala com alegria de Cora e do Caminho que leva o nome dela. “Essa palavra ‘Cora Coralina’ pra mim já é uma poesia. É uma mulher lutadeira, que foi uma desbravadora.” Para receber os caminhantes, Seu Quinzinho cobra R$ 80 por pessoa. Na primeira vez em que recebeu R$ 480, concluiu que o valor arrecadado em um dia corresponde à venda de 700 litros de leite.

O diretor de planejamento da Goiás Turismo, João Lino, explica que um dos objetivos da criação do Caminho de Cora é contribuir para a fixação das pessoas em seus povoados, nas comunidades e nas fazendas. “O turismo pode contribuir muito com isso. Quando você passa por Palestina, quando você vai a Alvelândia, Radiolândia, Caxambu – povoados que às vezes não tinham nenhuma identidade turística –, a partir do momento que você integra isso a uma região, um produto de território, um produto regional, você ativa todas essas comunidades e acaba unindo-as também”.

Uma das atrações na cidade de Goiás é o Museu Casa de Cora Coralina, a mesma casa onde Cora passou parte de sua vida. Lá estão objetos pessoais, textos e a memória da doceira que amava as palavras. Apesar de ter seus textos publicados em jornais e revistas desde os 14 anos, principalmente em São Paulo, o primeiro livro de Cora Coralina só foi publicado em 1956, quando tinha quase 70 anos de idade.

A diretora do museu, Marlene Velasco, foi quem selecionou as 70 poemas escritos por Cora e que estão espalhados pelo Caminho. “Separei poesias que falam do meio ambiente porque Cora era uma grande ambientalista, ela fala do meio ambiente, ela fala de superação, fala de acreditar nos valores humanos.”




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