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Monja Coen fala sobre budismo e violência no programa 'Um olhar sobre o mundo' da TV Brasil

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Imagem/Divulgação TV Brasil
O jornalista Moisés Rabinovici recebe a monja Coen Rōshi, primaz fundadora da Comunidade Zen Budista, no programa Um olhar sobre o mundo que vai ao ar pela TV Brasil nesta segunda (22), às 21h45. Durante a entrevista exclusiva, gravada no estúdio da emissora pública, em São Paulo, a convidada compartilha sua visão sobre budismo e violência.
 
Como explicar que um país como Myanmar, onde 95% da população é budista, religião que tem a paz como um de seus fundamentos, tenha promovido o massacre da minoria muçulmana rohingya e forçado cerca de 800 mil pessoas a fugir do país para viver miseravelmente nos campos de refugiados em Bangladesh? 
 
Autora do livro "O inferno somos nós", ao lado do historiador Leandro Karnal, a monja Coen explica que embora Myanmar, a antiga Birmânia, seja um país de maioria budista, a perseguição aos rohingya é comandada pelo grupo de militares e pelo governo, não pela população.
 
"A questão não é religiosa. O fato do país ser budista não significa que as pessoas que estão lá pratiquem o budismo. As pessoas que estão cometendo esses atos estão representando o governo, são forças militares. O país esteve muito tempo sob um controle militar que criou discriminação e aumentou o preconceito", explica a religiosa. 
 
Durante a conversa na TV Brasil, ela também relata histórias ocorridas em outros países envolvendo budistas e ressalta que os princípios do budismo são absolutamente contrários à violência.
 
Mesmo os budistas que foram obrigados a participar de guerras, como as que ocorreram entre Japão e China ou na Segunda Guerra Mundial, ao final desses confrontos se dedicaram a pregar a paz e os princípios da não violência.
 
Alguns monges budistas foram inclusive viver nos Estados Unidos com o objetivo de pregar a paz no país que tinha sido o grande inimigo do Japão. A monja Coen fala também sobre os monges que se imolavam para chamar a atenção sobre os horrores da guerra do Vietnã. 
 
Com a experiência de 35 anos como missionária oficial da tradição Soto Shu, que tem sede no Japão, Cohen explica as possibilidades da meditação como forma de melhorar as pessoas e a sociedade.
 
"O mundo é muito mais vasto que os valores da minha família, do meu grupo social. A gente pode expandir a consciência, que é o que eu acho que a meditação faz", explica a monja na entrevista.




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