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Caminhos da Reportagem analisa importância do rádio de ondas curtas para ribeirinhos neste domingo

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Divulgação TV Brasil
O programa Caminhos da Reportagem deste domingo (5), às 20h, na TV Brasil, mostra que o rádio de ondas curtas ainda é um dos meios mais eficientes para levar informação a lugares distantes e nem sempre acessíveis. A produção revela a contribuição da Rádio Nacional da Amazônia para os ribeirinhos.

Para os povoados no meio da Floresta Amazônica, a única forma de se conectar com o mundo ainda é através desses veículos. Essas pessoas residem a centenas de quilômetros da cidade mais próxima, a muitas horas e, às vezes, dias de barco.

Para revelar essa dinâmica, a equipe da atração jornalística da TV Brasil foi até a Terra do Meio, no Pará, conhecer a realidade vivida por vários ouvintes da Rádio Nacional da Amazônia, uma das poucas emissoras de ondas curtas do país. Ela também pela internet e no aplicativo EBC Rádios.pode ser acessada pelo aplicativo EBC Rádios.

Através da rádio, muitas pessoas e sabem dizer que horas são de acordo com os programas. Distante dois dias de barco de Altamira, no Pará, na Comunidade de Manelito, os extrativistas Maria do Socorro e seu cunhado Manoel de Souza comentam essa experiência.

Às 5 horas da manhã, eles já estão de pé para trabalhar e ouviam o programa do apresentador Frank Silva, na Rádio Nacional da Amazônia. Eles se localizavam no tempo durante o dia pelas atrações transmitidas na emissora.

A ligação dos ouvintes com a Rádio Nacional da Amazônia é tão grande que o seringueiro Reginaldo Pereira do Nascimento, o seu Reginho, quis fazer uma homenagem a uma de suas apresentadoras preferidas.

"Quando minha filha nasceu, minha mulher perguntou pra mim: como é que nós vamos botar o nome dessa menina? Aí eu disse: nós vamos botar o nome de Mara Régia. Era uma homenagem e deu certinho", diz.

A troca de experiências é rica também para os apresentadores da Rádio Nacional da Amazônia. Mara Régia Di Perna conta que o poder que o rádio tem sobre as pessoas é crucial para deixá-las melhor informadas.

Ela conta alguns casos de cartas que já chegaram até ela com dúvidas e que ela conseguiu ir atrás da informação correta. "Foram muitas as cartas dizendo 'ah Mara Régia, será que se eu fizer um chá de barbatimão vou voltar a ser virgem, né?' E aí a gente vai desconstruindo essas lendas através do rádio".

O veículo também muda a vida das pessoas. Foi através de contatos feitos pela Rádio Nacional da Amazônia que a agricultora Cleonice "Tomateira", como é conhecida, encontrou seu marido, Ademilson. Ele relata essa experiência no Caminhos da Reportagem.

"Estamos fazendo 23 anos que a gente está casado. Ele veio de lá para cá me procurando e aí foi aquele encontro, aquela coisa maravilhosa", conta. Cleonice, além do marido, também encontrou anunciando pelo rádio os parentes de sua mãe, que havia saído do Paraná e perdeu o contato com a família.

Ela explica que sempre ligava e contava a história no programa Ponto de Encontro, que era apresentado por Sula Sevillis. "Até que um dia alguém ouviu do outro lado e falou 'essa pessoa tá procurando a sogra do meu genro, vou ligar pra ela' e me ligou", recorda Cleonice que conseguiu reunir a família toda depois do contato.

Em Porto Maribel, o rádio é um companheiro desde a infância para os irmãos Melânia Gonçalves e José Moreira, conhecido por Zé "Simbereba", ambos pescadores e extrativistas. Melânia conta que é só através do aparelho que eles conseguem saber tudo o que está acontecendo no Brasil e no mundo e não se sentirem tão isolados.

Durante entrevista à produção da TV Brasil, José afirma que tudo o que sabe aprendeu pela rádio. "Às vezes, eu fico falando de São Paulo ou outro lugar e as pessoas me perguntam se eu conheço lá. Eu conheço, mas conheço através do rádio", define.