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Camila Pitanga comenta sobre a complexidade de sua personagem em 'Aruanas'

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Divulgação Globo/Fábio Rocha
Uma série que apresenta heroínas tão fortes, engajadas na defesa do meio ambiente e que se expõem a tantos risco precisava ter uma vilã à altura. E ninguém melhor do que Camila Pitanga para representar um papel tão complexo e misterioso para rivalizar com as ativistas.
Em ‘Aruanas’, Camila vive Olga, arquirrival das protagonistas e também inimiga do meio ambiente. Ela é uma lobista contratada pelo também vilão Miguel (Luiz Carlos Vasconcelos), para ajudá-lo a pressionar o Congresso a extinguir uma reserva florestal na Amazônia. 
Mas, como todas as personagens de ‘Aruanas’, Olga não tem apenas um único lado. Na entrevista abaixo, Camila Pitanga comenta sobre o processo de construção de uma personagem que, apesar do rastro de destruição, também deixa para trás muitas dúvidas e mistérios. 
No quinto episódio de ‘Aruanas’, que vai ao ar na próxima terça-feira (26), Natalie (Débora Falabella) e Gregory (Gustavo Vaz) encontram uma tribo indígena que foi atacada e ajudam os sobreviventes. Para limpar sua imagem, Miguel resgata a todos e os leva para posto de proteção.  
Escrito por Estela Renner e Marcos Nisti, o thriller ambiental vai ao ar todas às terças-feiras, logo após a novela “Fina estampa”. A série - uma produção original da Globo exclusiva para o Globoplay, em coprodução com a Maria Farinha Filmes - conta com direção artística de Carlos Manga Jr, direção geral de Estela Renner, parceria técnica do Greenpeace e Pedro de Barros colabora com o roteiro. 

Quem é a Olga?
A Olga é um enigma nesta temporada. A gente conhece pouco do que é pessoal da personagem. Sabemos dela através desse negócio que é feito entre ela e o Miguel. Eu vejo a Olga como uma representante do capital, ao contrário das Aruanas, que são preocupadas com a preservação da natureza, principalmente da Amazônia. A Olga está preocupada em ganhar mais um jogo. Ela é uma mulher rica, já tem grana. Não é por sobrevivência que ela faz o que faz. 
Como foi a preparação para viver Olga?
Essa androginia, essa coisa mais escorregadia e dúbia, tem muito a ver com esse texto da série. A Olga tem uma solidão, mas também tem um amor, uma outra atmosfera. Eu fui tentando elaborar essas facetas para uma personagem que é quase uma esfinge nessa primeira temporada. Eu não me baseei em nenhum personagem prévio. Mas eu tenho muitos personagens em mim, vilãs e heroínas como referência. 
Como é a relação de Olga com as Aruanas? 
As mulheres da Aruana são pedras no sapato da Olga... Vai-se criando uma rivalidade, principalmente com a Verônica. Como se fosse um espelho ao contrário, porque a Verônica também é advogada e representa em termos de valores o oposto da Olga. Elas vão se tornando arquirrivais, porque em nome de cuidar dos remanescentes indígenas e dos rios que estão sendo contaminados pelo garimpo, trava-se uma disputa que parte para o pessoal. 
E com o vilão Miguel? O que eles representam na sociedade?
Eles se enxergam como iguais, se interessam como iguais, mas ele é o chefe. Ela não mede esforços para valer o seu apetite por poder. Miguel e Olga cuidam de seu feudo e dos seus interesses, são individualistas. Eles não consideram nada a sua frente, são míopes da sua própria condição de humanidade. Estamos falando de uma luta que de um lado não há ética. Acho que é muito importante a gente compreender que quem sofre dessa miopia não dá valor ao patrimônio de humanidade que a Amazônia representa. É a miopia que mata, que aniquila e que se mata. São personagens que não se veem dentro da condição humana.
Você acha que a vilã Olga pode ser um alerta em defesa ao meio ambiente?
Anterior à minha alegria de ter o personagem, tinha a missão e a compreensão de que era uma possibilidade de poder acordar pessoas para o que é o ativismo no Brasil. Uma série que foi escrita por ativistas, que teve acompanhamento próximo, íntimo, de pessoas do Greenpeace...Era necessário contar essa história. Ficou mais agudo o quanto essa ferida aberta do nosso país precisa ser cuidada. Isso tem a ver com defender o ativismo no nosso país e, para defender, as pessoas precisam conhecer quem são estes heróis anônimos que lutam pela terra, pela vida.


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