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Dia das mães: atores das novelas que estão no ar participam de bate-papo sobre maternidade

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Divulgação Globo/Sergio Zalis
Em ‘Malhação - Viva a Diferença’, Roney (Lúcio Mauro Filho) é um pai que cria sozinho a filha, Keyla (Gabriela Medvedovski). Viúvo, ele tem que aprender a desvendar os mistérios do universo feminino para construir a relação com a adolescente. Em ‘Totalmente Demais’, Lili (Vivianne Pasmanter), após perder a filha, Sophia (Priscila Steinman), torna-se uma mãe superprotetora com Fabinho (Daniel Blanco). Vivianne também está no ar em 'Novo Mundo', interpretando Germana. Na novela das seis, ela cria Quinzinho (Théo Lopes) ao lado do marido Licurgo (Guilherme Piva). O bebê perde sua mãe no parto, mas o casal só pensa em se livrar dele, o que conseguem com a chegada de Elvira (Ingrid Guimarães). Já em ‘Fina Estampa’ temos Celeste (Dira Paes), que mesmo vivendo com um marido agressivo, sempre protege a filha, Solange (Carol Macedo), e apoia seu sonho de ser cantora e dançarina.   
Aproveitando a proximidade do Dia das Mães, neste domingo, escolhemos este tema universal e com possibilidades tão diversas e reunimos os atores Lúcio Mauro Filho, Vivianne Pasmanter e Dira Paes num bate-papo virtual com a imprensa nesta sexta-feira, dia 8. Durante a conversa, eles falaram sobre suas vivências com a maternidade – e a paternidade – e relembraram os trabalhos que estão no ar atualmente. Seguem trechos da conversa logo abaixo.
ENTREVISTA COM DIRA PAES, VIVIANNE PASMANTER E LÚCIO MAURO FILHO
- No momento, vocês três interpretam personagens que lidam com a criação de seus filhos. De que forma vocês se assemelham a esses personagens enquanto pai/mãe e quais as principais diferenças? 
Vivianne Pasmanter: A figura materna está forte em ‘Totalmente Demais’. Foi difícil entrar nesse sentimento, nesse entendimento, porque acho que perder um filho é a pior coisa que pode acontecer a alguém. Entrar nessa dor mexeu também um pouco na minha relação com meus filhos. Fica esse medo, né? Além disso, a Lili tinha uma questão de superproteção com o filho. Agora que meus filhos estão ficando adolescentes, me pergunto ainda mais até onde proteger. Sempre que você vive um personagem, você não passa impune a ele, você aprende muita coisa. Eu acho muito legal lidar com essa questão da maternidade num trabalho. 
Dira Paes: A Celeste veio em um momento muito importante pra mim. Eu já era mãe, mas a Celeste tem uma filha muito mais contemporânea que ela, que quer o mundo, a vida, e vivencia a violência dentro de casa. Não foi fácil porque a gente sabia que era um tema muito delicado, muito profundo. Foi muito desafiador. Mas eu acho que as coisas não acontecem por acaso. A presença de 'Fina Estampa', nesse momento da pandemia, tá ressuscitando o tema da violência contra a mulher com muita atualidade. O que nos faz sentir, de certa maneira, que nós não avançamos muito nessa questão. A Celeste tem a sorte de ter uma filha que a ampara  diante das decisões. Tem uma cumplicidade de mãe e filha que eu acho que deu a força pra Celeste se superar. 
Lúcio Mauro Filho: Diferente de mim, que sou casado e tenho uma mulher muito presente e a gente divide todas as tarefas, o Roney é viúvo e tem uma atitude muito nobre: para cuidar da filha, ele abandona a carreira e se torna pai e mãe. É uma situação que acontece com menos frequência na nossa sociedade, mas acontece, e eu acho que esses homens são transformados. Acredito que é mais fácil entender o universo feminino quando um pai se torna, de alguma maneira, mãe também, como o Roney.   
- A dramaturgia acompanhou, ao longo do tempo, as mudanças do papel de mãe. Para vocês, quem é a mãe de 2020? 
Dira Paes: Acho que é essa mãe que ouve o filho de 2020. Eu, por exemplo, preciso me alfabetizar digitalmente. Essa mãe de 2020 é uma mãe que precisa entender o novo universo que se apresenta através dessa vida que passa pelo computador, pela tecnologia. Os sentimentos vão se transformar também a partir desse novo formato de relações. Também vai se transformar, depois dessa pandemia, o que é o normal. No último 'Criança Esperança', a gente falou muito disso: é preciso que a gente entenda que existe um novo normal. Essa mãe de 2020 precisa se adaptar ao novo normal, assim como toda a sociedade. Tomara que os pais ajudem mais as mães, para que elas não fiquem tão sobrecarregadas. Eu acredito muito em uma mãe antenada com os novos comportamentos. E também acredito que temos que conseguir manter os valores vinculados ao afeto, para que a gente não se distancie do que é mais humano na gente, que são os sentimentos.   
   
Vivianne Pasmanter: Eu acho que a minha geração viveu uma vida completamente diferente da atual. O mundo era outro, não tinha internet, não tinha televisão colorida. Sinto que hoje se escuta muito mais, se dá muito mais voz ao jovem do que antes, quando  a voz dos filhos não estava tão em primeiro plano. Acho também que é difícil viver nesse novo mundo do celular, em que a vida é muito mais no agora. A mãe de 2020 tem que estar antenada com isso, tem que entender e se entender nesse novo mundo.
   
Lúcio Mauro Filho: A mãe de 2020 continua sendo uma heroína. Continua tendo que equilibrar ancestralidade e passado com futuro, porque volta e meia as conquistas da mulher são surrupiadas pelo mundo que continua muito masculino. A mulher tem ainda uma dificuldade de ter o seu papel entendido. Há conquistas que são fruto de um trabalho muito árduo. A mulher de 2020 continua precisando da ajuda do homem de 2020. Eu acho que a mulher precisa de um homem de 2020 melhor, e a construção desse homem ainda está engatinhando.
- Como será o Dia das Mães de vocês em meio a esse cenário que estamos vivendo? 
   
Dira Paes: Eu gosto das datas, mas não sou muito apegada ao lado comercial. Tento mais criar um ambiente, fazer uma comida gostosa. Neste domingo, vou entrar em contato com as mães da minha família, que são maravilhosas. Minha irmã Eneida é médica e está no olho do furacão lá em Belém, no Pará, com a pandemia. Neste momento, ela é a grande mãe da família. Neste domingo, minha vibração vai para essas mães que trabalham na saúde e que com certeza levam carinho e um pouco desse amor maternal aos pacientes.   
   
Vivianne Pasmanter: Nessa época de pandemia, estou tentando não planejar, já que está bem difícil planejar qualquer coisa. Mas vou ficar com os meus filhos. Tenho esse privilégio de estar com eles. Não vou estar com a minha mãe porque ela é grupo de risco, mas preparei uma coisa para ela junto com minha irmã. Só de eu estar junto dos meus filhos já é um presente.
   
Lúcio Mauro Filho: Estou sentindo muita falta da minha mãe, porque ela é muito presente na minha vida. A outra mãe da minha vida, minha mulher, está aqui do meu lado sendo uma mãe fantástica. Acho que eu vou sentir falta mesmo é das mães que eu não vou poder encontrar. As minhas irmãs vão estar com a minha mãe, então, elas vão me representar, mas não tem como não pensar nela e na minha avozinha, que tem 96 anos e está em Salvador. Essas mães todas da minha vida significam muito, e, no domingo, eu vou vibrar para que elas sintam esse afeto chegar até elas.   
- Dira, na televisão, você já interpretou algumas mães. O que da sua experiência materna você já levou para o vídeo? 
Dira Paes: Eu fiz muitas mães antes de ser mãe e isso me trazia, além do desejo da maternidade, um sentimento de gostar de estar fazendo o personagem e uma vontade de ter aquilo na vida real. Depois que eu fui mãe, fiz várias novelas em que a maternidade era um assunto. Eu percebo que já sou outra mãe da época de 'Fina Estampa'. Sem dúvida, hoje, a experiência que eu tenho na vida real enriquece muito mais os meus personagens. O papel de mãe na dramaturgia, em geral, é muito rico, com diversas facetas. É um papel que pode levar a variadas compreensões do humano.   
- A Lili mima demais Fabinho e protege a todo custo das cobranças do Germano. Qual a diferença do mimo dela para o seu com seus filhos? 
 Vivianne Pasmanter: Acho que eu também sou uma mãe bem protetora. A Lili era criticada, mas eu acho que o fato de ela ter perdido a filha influenciava para essa superproteção ao filho. Eu me identifico com esse desejo, mesmo sabendo que eles têm que andar por conta própria. Acho que é um medo de eles não estarem mais debaixo das nossas asas. É um aprendizado muito forte e difícil.   
- Lucinho, em sua opinião, o Dia dos Pais tem a mesma força do Dia das Mães? Você acha que algum dia a gente vai trazer a questão da paternidade de forma mais forte? 
Lúcio Mauro Filho: Enquanto o homem não se conscientizar do seu papel mais profundo dentro de uma família, dentro do casamento e da criação dos filhos, ele vai encontrar um monte de facilidades para permanecer onde está, em um papel de segundo plano. A mulher carrega o filho nove meses, cria uma conexão, é uma preparação meio que psicológica, e o homem começa a participar quando o filho nasce. Eu acho que todo homem deveria acompanhar para valer a gestação da mulher. Acompanhar esse momento em que você não está com o bebê na barriga, mas tem tanta responsabilidade quanto a mulher.