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Saúde indígena é tema do Caminhos da Reportagem, na TV Brasil

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Divulgação TV Brasil
A edição inédita do Caminhos da Reportagem que a TV Brasil exibe às 20h de domingo (30) acompanha uma missão do Ministério da Defesa a São Gabriel da Cachoeira, o município mais indígena do país, no Amazonas. Mais de 90% dos 45 mil habitantes da cidade são descendentes de alguma das 23 etnias que vivem na região.

Entre os municípios brasileiros com até 100 mil habitantes, São Gabriel da Cachoeira chegou a ficar em primeiro lugar em casos confirmados de Covid-19. A falta de infraestrutura é o principal problema da cidade, onde atendimento de toda a população ocorre em um só hospital.

“Os povos indígenas precisam de uma atenção muito especial, principalmente nesses momentos agora de Covid-19. Sem povo indígena, não existe Brasil”, afirma o indígena Marivelton Rodrigues Barroso, da etnia Baré, presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN).

No município e nas comunidades indígenas próximas, o modo de se locomover foi um fator importante na disseminação da doença. “É uma região distante, onde o principal meio de acesso são os barcos e a gente sabe que essas embarcações sempre estão bastante cheias, as redes ficam muito próximas uma da outra, então o transporte fluvial na Amazônia foi um grande vetor de disseminação”, comenta o pesquisador do Instituto Socioambiental (ISA) Antonio Olviedo. A distância e a dificuldade nos transportes afetaram também o acesso à saúde.

O Caminhos da Reportagem entrevistou especialistas, lideranças indígenas e a população que recebia atendimento médico nas comunidades próximas a São Gabriel da Cachoeira. O professor indígena Leonardo Peres Penteado, da etnia kubeu, relembra que seus antepassados enfrentaram vários tipos de epidemia ao longo da história. “Quando não respeitamos a mãe natureza, às vezes vem essa consequência”, afirma.

Para Ana Lúcia Pontes, médica sanitarista e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), as “epidemias tiveram um papel no processo colonizatório de dizimação e desestruturação de diversos povos” indígenas.

As consequências da Covid-19 nos povos indígenas são também culturais. “É uma doença que infelizmente levou parte da 'biblioteca' dos povos indígenas. Algumas pessoas que se foram são os anciões e as anciãs, que estavam fortes e transmitindo as suas práticas na região. Isso é bastante triste, é um pesar”, afirma a antropóloga Carla Dias, do Instituto Socioambiental (ISA).

Muitos dos indígenas que morreram eram lideranças. Perderam-se pajés, guerreiros, professores: Paulo Paiakan, dos caiapós; Lusia dos Santos, do povo Borari; o xavante Domingos Mahoro; e o cacique Aritana Yawalapiti, do Alto Xingu. Vozes que se erguiam pelo povo da floresta.


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