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Caminhos da Reportagem investiga impacto da pandemia na vida dos idosos

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Divulgação TV Brasil
Existem hoje, no Brasil, cerca de 22 milhões de pessoas com mais de 65 anos. Diante deste cenário, o Caminhos da Reportagem que a TV Brasil leva ao ar neste domingo, às 20h, revela os impactos da pandemia do novo coronavírus para os idosos e a importância deste grupo na nova ordem social do país como parte de uma parcela da população que cresceu 20% somente nos últimos seis anos.  

O programa jornalístico entrevistou Marcelo Neri, economista da Fundação Getúlio Vargas/RJ e coordenador da pesquisa "Onde estão os idosos - Conhecimento contra a Covid-19". Para ele "a pandemia pega o Brasil num momento que a população de idosos é grande, crescente, mas se fosse daqui a 50 ou 30 anos, o problema seria ainda mais relevante". Dados mostram que, em 2050, serão cerca de 67 milhões de idosos no país, representando 31% da sociedade. 

Desde o início da pandemia do Covid-19 especialistas têm alertado para a vulnerabilidade da população idosa em relação ao vírus. A poeta, escritora e compositora Dona Tuca que vive na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, desabafa: "essa pandemia tá maltratando a gente que é velho, esse negócio da gente ficar assim só dentro de casa".  O médico e gerontólogo Alexandre Kalache explica que "nós temos, indubitavelmente, uma resposta imunológica, à medida que envelhecemos, mais fraca do que uma pessoa que tenha 30 anos e que não tenha comorbidade". 

Nalva Nóbrega tem 92 anos e vive em Natal, Rio Grande do Norte. Para ela, o importante é ocupar a mente nesta fase da vida. Durante a pandemia, segue fazendo o que mais gosta: "o piano me prende ultimamente, eu chego a colocar o telefone na estante e toco e ligo para os meus amigos. Pra dizer que estou viva minha gente, estou aqui em Natal mas tô tocando piano pra vocês".

Para Alexandre Silva, médico e gerontólogo, quando hoje se fala do idoso vulnerável, é preferível dizer que ele está em vulnerabilidade. "Se você tem um idoso que consegue chegar cheio de saúde, ele não está exposto aos riscos da Covid-19 da mesma forma que uma pessoa idosa que não tenha uma boa condição de saúde", destaca o médico.

No recente estudo da FGV/Rio outro dado chama atenção. A pesquisa mostra que, no Brasil, a proporção de idosos chefes de domicílios é duas vezes maior que a do conjunto da população. "Isso devido às políticas que o Brasil faz de proteção de aposentadoria e políticas de assistência", explica Marcelo Neri. 

A aposentada Deyse Diele, por exemplo, cuida do neto desde que ele nasceu. "Eu comecei a arcar com todas as despesas do Ben, desde plano de saúde, vestuário, alimentação. Se eu não tivesse a minha aposentadoria ia ser muito difícil manter o nível que eu tenho com o Ben", conta. 

Sobre isso, Alexandre Kalache considera que, com a pandemia do novo coronavírus, a questão econômica ficou mais exacerbada e faz um alerta: "proteja seus velhinhos, porque se ele se for vocês é que vão sofrer as consequências econômicas daquela perda".

O uso cada vez maior dos recursos tecnológicos por esta parcela da população é outro tema que se tornou extremamente relevante durante a pandemia. Muitos idosos estão descobrindo um mundo novo, como no caso da atriz Suely Franco. Reclusa em sua casa no bairro da zona sul do Rio de Janeiro, ela confessou que ainda tem dificuldade em lidar com a tecnologia. Mas, recentemente, a atriz abriu uma conta no Instagram para postar vídeos: "uma amiga encheu a minha cabeça porque eu gosto muito de contar piada. Ela que faz tudo, não sou eu. E quando tem alguma outra coisa pra fazer é meu filho que faz". 

Para a antropóloga Mirian Goldenberg há uma falsa percepção de que os idosos são incapazes de usar a tecnologia. "Eu pesquiso pessoas de mais de 90 anos que usam perfeitamente o celular, a internet, aqueles que têm interesse por isso. E outros não. Não porque são idosos mas porque não gostam. O que não significa que eles estão isolados porque podem se comunicar com as pessoas que amam por telefone, como sempre fizeram antes da pandemia", explica. 

Sempre com um sorriso largo no rosto, Suely Franco se diverte com suas próprias histórias e completa: "Eu estou sempre falando pelo telefone, porque eu não sei lidar com celular. Celular pra mim é só pra atender. Atender, falar e discar".


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