Arquitetura verde pauta programa Caminhos da Reportagem deste domingo

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A busca por soluções mais sustentáveis nas construções é o tema da edição inédita do Caminhos da Reportagem que a TV Brasil exibe domingo (29), às 20h. Durante o programa "Arquitetura verde", a atração jornalística mostra os benefícios deste conjunto de práticas, conceitos e técnicas que buscam criar uma harmonia no projeto arquitetônico evitando danos ambientais desnecessários em cada passo de sua execução.

Longe do verde e rodeados da paisagem urbana, muitas vezes as pessoas esquecem que seus hábitos de vida – e até mesmo o lugar onde vivem – têm um impacto na conservação do meio ambiente. Os modelos de construção de casas e edifícios, residenciais ou comerciais, podem ter consequências diretas no consumo de água e energia, na geração de resíduos e qualidade de vida de quem ocupa esses espaços. O programa revela que pensar formas mais sustentáveis de construir já é uma preocupação de muitos profissionais que buscam uma arquitetura com menos impacto para as gerações futuras.

A construção civil é um dos setores que mais geram resíduos – responsável por aproximadamente 60% do lixo sólido urbano, de acordo com a Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (Abrecon). A estimativa é que para cada três casas construídas, uma delas seria somente resíduo, aponta o engenheiro Frederico Rosalino, especialista em bioconstrução. Medidas para evitar o desperdício de materiais e projetos com soluções que garantam boa ventilação e iluminação natural dos espaços evitam impactos ambientais durante e após as obras.

Em Brasília, a equipe de reportagem visita um espaço que une diversas soluções verdes para garantir que seus moradores vivam com o menor impacto ambiental possível. O Sítio Nós na Teia, planejado pelo arquiteto Sérgio Pamplona, é 100% abastecido com água da chuva, graças a um sistema de reaproveitamento e à adoção de estratégias de uso racional do recurso. As construções também usam materiais sustentáveis – como pneus e garrafas reciclados e até mesmo bambu – e parte da comida é plantada no próprio local.

“Com a mentalidade atual, onde o ser humano chega, geralmente ele tira o solo fértil e vive num deserto. E aí come a comida que vem de longe e sabe-se lá produzida de que forma. A gente quer integrar essas coisas e fazer esses ciclos de vida estarem próximos - e nós, inseridos nesse ciclo de vida”, explica.

Edifícios verdes

A preocupação com uma forma mais sustentável de construir e habitar os espaços também ganha fôlego entre as edificações empresariais. O movimento global Green Building concede certificações a construções que adotem boas práticas ambientais em diversos aspectos como uso eficiente da água, da energia, qualidade interna do ar e a gestão de resíduos.

Estima-se que o mercado global de edifícios verdes não residenciais deve crescer de 69 bilhões de dólares, em 2020, para mais 79 bilhões, em 2021. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a construção de prédios sustentáveis pode gerar mais de 6 milhões de postos de trabalho no mundo até 2030.

A sede do laboratório Sabin, em Brasília, conta com um desses selos graças às soluções adotadas na sua construção que permitiram uma grande economia em energia, como janelas amplas que garantem uma boa iluminação, vidros que não absorvem o calor e teto verde que reduz o uso de ar condicionado.

Favelar

Mas construir de forma sustentável ainda está longe da realidade da maioria dos brasileiros. Pensando em proporcionar o acesso das populações de baixa renda a serviços de construção de qualidade e com menos impacto ambiental, o engenheiro Fábio de Moraes criou a Favelar, empresa que atende essencialmente moradores de comunidades do Rio de Janeiro. Um levantamento do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) apontou que apenas 15% da população consegue engenheiros ou arquitetos na hora de fazer uma obra ou reforma.

“Fazer construção sustentável  no Brasil ainda é um grande desafio, especialmente em territórios em situação de vulnerabilidade social. É preciso que a gente transforme toda a cadeia e a indústria para  fazer com que os materiais sustentáveis e ecoeficientes cheguem de maneira acessível a esses territórios. Ainda é um desafio, mas nós viemos trabalhando para mitigar esse impacto”, conta.
Anderson Ramos

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