CNN Séries Originais: 'A Sociedade da Intolerância' aborda racismo e xenofobia

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O segundo episódio 'Racismo e Xenofobia', da série "A Sociedade da Intolerância" que vai ao ar quinta-feira (12/08), às 22h30min, traz um duplo recorte sobre o preconceito no país, dando voz a quem sofre com o racismo e, também, com a xenofobia. Os repórteres do CNN Séries Originais trazem a contextualização histórica e mostram como ainda hoje comunidades inteiras são afetadas por discursos de ódio e separação.

"A sociedade brasileira é racista, portanto tudo aquilo que remete ao nosso passado escravocrata, e portanto especificamente a figura do negro, é sempre rechaçado, e sempre motivo portanto de preconceito", diz o sociólogo Paulo Silvino.

"Então o racismo é a inferiorização de um grupo social relativamente a outro, no sistema de relações de poder, em que o grupo dominante, ou integrante de um grupo dominante, oprime desumanizando um grupo dominado", explica o presidente da organização Advogados pela Diversidade Sexual, Paulo Iotti.

Para quem estuda o tema, o racismo estrutural ainda impera no país.

"Eu não vejo exatamente ódio racial, é um racismo estrutural, então se banalizou no Brasil práticas discriminatórias contra o negro", diz eunice Prudente, professora doutora na Faculdade de Direito da USP.

A história dos Confederados -- um grupo de descendentes americanos, que vive no interior de São Paulo, e carrega uma bandeira que é proibida de ser hasteada em sete estados nos Estados Unidos, e também é vetada nas Forças Armadas americanas, por conta da sua referência a movimentos racistas.

"A bandeira confederada nos Estados Unidos é como se fosse uma suástica. Uma marca muito clara da nazificação dos movimentos", explica a antropóloga Adriana Dias.

"Ela (a bandeira) significa ódio. O ódio às pessoas negras, de origem africana. A escravidão, o colonialismo, o racismo, é isso que ela representa", completa o historiador Carlos Dias.

Em São Paulo, a vida de quem veio de fora do país e hoje se vê obrigado a fugir de bairros na zona leste paulistana por conta de ameaças xenofóbicas, como explica a diretora-executiva do CDHIC, Thaís La Rosa.

"A gente calcula aí que tinha mais ou menos 400 famílias de imigrantes morando ali naquela região, e tem muita gente saindo principalmente congoleses, angolanos, camaroneses, saindo dali e buscando outras moradas". 

E a discussão sobre as possíveis saídas para que a sociedade brasileira supere o racismo e a xenofobia ainda tão presentes no dia a dia de pessoas negras e estrangeiras -- que escolhem resistir às ameaças, haja o que houver.

"Temos que continuar resistindo. Então eu acho que nem vai levar tanto tempo, porque agora usando a tecnologia na informação, na educação, podemos formar novos cidadãos em um futuro breve", diz a professora doutora na Faculdade de Direito da USP, Eunice Prudente.
Anderson Ramos

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