Dia da Democracia: 20 documentários sobre repressão e liberdade, no Curta!On

Divulgação Curta!

O Dia da Democracia no Brasil é celebrado em 25 de outubro, em homenagem ao jornalista Vladmir Herzog, morto pela ditadura militar neste mesmo dia, em 1975. Se naquela época o país vivia sob a opressão de um regime autoritário, hoje luta para a manutenção dos pilares democráticos construídos após a abertura política e a Constituição de 1988.

Por isso, unindo-se às vozes dos que defendem que a democracia é sempre o melhor caminho, o Curta!On – Clube de Documentários apresenta um especial que reúne 20 produções que exploram diferentes perspectivas sobre o assunto.

O Curta!On – Clube de Documentários é o streaming do Curta! que pode ser acessado através da ClaroTV+ e do site CurtaOn.com.br. Seu acervo conta com mais de 800 filmes e episódios de séries documentais, organizadas  por temas de interesse como Música, Artes, MetaCinema, Meio Ambiente e Sustentabilidade, Mitologia e Religião, Sociedade. Novos assinantes têm gratuidade nos primeiros sete dias de uso da plataforma.

Confira a seleção de filmes do Especial Democracia:

“O Dia Que Durou 21 Anos” (Documentário): O documentário do diretor Camilo Galli Tavares, dividido em três episódios, traz detalhes sobre a participação dos Estados Unidos no golpe militar de 1964 no Brasil, bem como importantes documentos americanos considerados como secretos durante o regime. A produção apresenta textos de telegramas, áudio de conversas telefônicas, depoimentos e imagens inéditas. A narração fica por conta do jornalista Flávio Tavares, que participou da luta armada, foi preso, torturado e exilado político. 

“Sobral – O Homem Que Não Tinha Preço” (Documentário): O documentário relembra a trajetória do jurista Heráclito Sobral Pinto, que ganhou visibilidade ao defender a democracia durante a ditadura militar. O longa-metragem é dirigido pela neta do jurista, a cineasta Paula Fiuza, e traz uma série de depoimentos de advogados e historiadores, além de imagens de arquivo que revelam o advogado e ressaltam a importância de seu trabalho na defesa da justiça e dos direitos humanos. Um dos depoimentos do filme é de Anita Leocádia Prestes, filha dos militantes comunistas Luiz Carlos Prestes e Olga Benário.

“Democracia em Preto e Branco” (Documentário): Narrado por Rita Lee e dirigido por Pedro Asbeg, o documentário “Democracia em Preto e Branco” aborda o movimento ideológico-futebolístico chamado “Democracia Corinthiana”, focando sobretudo na figura de Sócrates, jogador do Corinthians. O longa, produzido pela TV Zero, mostra o panorama esportivo, musical e político de uma época em que o país fervilhava em meio a greves e protestos pelas eleições diretas.

“Os Anos JK – Uma Trajetória Política” (Documentário): O filme de Silvio Tendler conta a trajetória do presidente brasileiro Juscelino Kubitschek, nascido em Diamantina, Minas Gerais. A produção relembra sua estreia como político, passa por sua atuação na presidência — sobretudo pela construção de Brasília — e vai até a perda de direitos políticos sofrida por Juscelino durante a ditadura militar.

“O Prólogo” (Documentário): O documentário, dirigido por Gabriel F. Marinho, discute o uso da propaganda política através do cinema e da televisão na década de 1960, desvendando a cultura dos antigos curtas-metragens que passavam antes das sessões principais de cinema no Brasil.

“Jango” (Documentário): O filme de Silvio Tendler refaz a trajetória política de João Goulart, o 24° presidente brasileiro, que foi deposto por um golpe militar nas primeiras horas de 1º de abril de 1964. A reconstituição da trajetória de Goulart é feita através da utilização de imagens de arquivo e de entrevistas com importantes personalidades políticas como Afonso Arinos, Leonel Brizola, Celso Furtado, Frei Betto e Magalhães Pinto, entre outros. Lançado em março de 1984, o filme teve seu roteiro escrito por Maurício Dias e Sílvio Tendler, enquanto a trilha sonora foi desenvolvida por Milton Nascimento e Wagner Tiso.

“O Paradoxo da Democracia” (Documentário): O filme de Belisario Franca mostra que a noção de democracia foi posta em xeque em nações como Brasil, Estados Unidos, França, Egito e Ucrânia, por meio de fortes manifestações que culminaram na queda de governos, seja por vias eleitorais ou por golpes de estado. Pensadores respeitados em todo o mundo, como Jacques Rancière e Juan Carlos Monedero, analisam os diferentes contextos sociais em que está inserido esse sentimento de insatisfação, que parece unificar sociedades tão díspares.

“O Mês Que Não Terminou” (Documentário): Em “O Mês Que Não Terminou”, de Francisco Bosco e Raul Mourão, o espectador relembra dois movimentos internacionais de 2011, o “Occupy Wall St”, em Nova York, e “Os Indignados”, em Madrid, fazendo uma ligação entre essas ações e as manifestações que ocorreram no Brasil durante junho de 2013. Segundo os diretores, essa agitação desembocou nos protestos a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2014; também teria sido motor de propulsão da Operação Lava Jato e da ascensão da extrema direita no Brasil. 

“Excelentíssimos” (Documentário): O diretor e roteirista Douglas Duarte e sua equipe estavam na hora e no lugar certos para assistir de perto a uma das mais importantes passagens da história recente do Brasil: o processo de impeachment de Dilma Rousseff. O que era para ter sido apenas um registro do panorama político diário tornou-se o documentário “Excelentíssimos”, uma produção da Esquina Filmes, que registrou os bastidores e o cotidiano do Congresso Nacional em momento de efervescência e extrema polarização.

“Espero Tua (Re)Volta” (Documentário): Um retrato do movimento estudantil que ganhou força a partir do ano de 2015 ocupando escolas estaduais por todo o Brasil. Dirigido por Eliza Capai, o filme acompanha três jovens do movimento e, com a ajuda de imagens de arquivo de manifestações desde 2013, tenta compreender as ocupações e as suas principais pautas a partir do ponto de vista dos estudantes envolvidos. 

Ibiúna” (Documentário) - “Ibiúna”, de Silvio Tendler, relembra o congresso clandestino da União Nacional dos Estudantes (UNE) realizado em outubro de 1968 onde cerca de 800 estudantes foram presos. Vindos de universidades de todo o país, os jovens estavam reunidos para eleger o novo presidente da entidade, mas, dois dias depois do início dos trabalhos, as forças públicas de segurança cercaram o local, prenderam todos os alunos e as principais lideranças do movimento. Desde o início do ano, os estudantes tomavam as ruas em protestos contra a ditadura militar que se instalara em 1964. Pouco depois da realização do congresso, foi instituído o AI-5, que endureceu ainda mais o regime.

“Democracia Manipulada” (Documentário) - “Democracia Manipulada”, dirigido por Alexandra Jousset e Philippe Lagnier, coloca a nova cruzada populista que ameaça nossas democracias sob análise. Nos últimos anos, os movimentos populistas vêm mobilizando a opinião pública e ganhando força graças à tecnologia da informação. Donald Trump nos Estados Unidos; Jair Bolsonaro no Brasil; Viktor Orban na Hungria; Rodrigo Duterte nas Filipinas etc. O populismo é, acima de tudo, um método de conquista e retenção do poder. Este documentário investigativo lança luz sobre aqueles que orquestram o caos e seus métodos. Na sombra de figuras políticas, hackers da democracia são a verdadeira ameaça. Eles são cientistas da computação, pesquisadores de opinião e especialistas em big data. É urgente compreender o fenômeno e examinar as ferramentas de resistência que podem ser mobilizadas.  

“Tá Rindo de Quê?” (Documentário) - No período da ditadura militar, mesmo com toda a brutalidade, truculência e obscurantismo inerentes aos regimes de exceção, muita gente fez rir. O humor serviu como arma, mas também como válvula de escape, criou formas de driblar patrulhas e censuras, revolucionou linguagens, criou, debochou, divertiu, foi perseguido, proibido, encarcerado e, ainda bem, riu por último. O documentário de Alê Braga, Claudio Manoel e Álvaro Campos conta essa história de resistência. 

“Chomsky e Cia” (Documentário) - O linguista, filósofo e ativista político estadunidense Noam Chomsky possivelmente se tornou um dos pensadores mais influentes desde a segunda metade do século XX. Neste documentário, Daniel Mermet and Olivier Azam decidiram focar nos seus ideais políticos, muitas vezes controversos em sua maneira de compreender os truques e paradoxos no funcionamento das democracias neoliberais. E além de conseguirem entrevistar o próprio Chomsky, dificilmente disponível, os diretores embarcam em uma viagem através de muitas cidades americanas e europeias, a fim de encontrar seguidores diferentes de uma forma libertária de pensamento que rejeitam as ideias triviais para terem uma melhor compreensão da realidade política e social. O documentário constrói um percurso complexo que revitaliza o uso de imagens de arquivo com montagens eloquentes, entrevistas com intelectuais, além de um pouco de humor.

“Diário de Uma Busca” (Documentário) - Celso Castro, militante de esquerda, foi encontrado morto no apartamento de um ex-oficial nazista. A polícia sustenta que se trata de um suicídio. O episódio é o ponto de partida de Flavia Castro, filha de Celso e diretora do filme, que decide reconstruir a história da vida e da morte do seu pai, voltando aos cenários do exílio familiar, da ilusão e do fracasso de um projeto político.

“Incertezas Críticas” (Série), dirigida por Daniel Augusto

Episódio: “Umberto Galimberti” - Umberto Galimberti é professor universitário de filosofia em Veneza. Autor de diversos livros, ele fala neste programa de um dos temas mais importantes de sua obra, a técnica e sua relação com a democracia.

Episódio: “Tzvetan Todorov” - O historiador das ideias Tzvetan Todorov nasceu na Bulgária, mas viveu na França mais de 50 anos até falecer no início de 2017. Autor de uma bibliografia diversificada, ele concedeu uma entrevista para este programa em seu apartamento de Paris para falar sobre sua trajetória, sobre política, literatura e arte.

“Cale-se” (Série), dirigida por Daniel Augusto

Episódio: “Driblando a Censura” - Este episódio aprofunda os efeitos da promulgação do AI-5 e a produção dos artistas da MPB atuantes na época. Roberto Menescal e Jards Macalé resgatam memórias da relação com os censores, do uso de subterfúgios para driblá-los e das músicas que enfrentaram problemas para serem liberadas. Roberto Menescal explica que qualquer conteúdo julgado de mau gosto, contra a instituição familiar, com alusão à sexualidade ou uso de drogas também era vetado. O advogado João Carlos Muller relembra como a situação piorou a partir de 1973, quando foi instituído o DCDP (Divisão de Censura de Diversões Públicas). Os números musicais relembram as canções “Partido Alto” e “Geleia Geral”.

Episódio: “Censurando o Popular” - O quinto episódio da série foca nos artistas ditos “populares” para entender como esse estilo musical encarou a censura feita pela ditadura militar. O jornalista, pesquisador e escritor Paulo Cesar Araújo explica que, no final dos anos 1960, surgiu na cena musical do país uma geração de cantores conhecidos como “bregas” ou “cafonas”. Ele contextualiza a ascensão desse gênero musical, que se deu exatamente durante o endurecimento do regime. Paulo Cesar explica que o motivo da censura aos bregas era a moral conservadora. Artistas como Fernando Mendes e Odair José contam como eram suas relações com o regime. Paulo Cesar Araújo relembra o caso de “Uma vida só (Pare de tomar a pílula)", proibida depois de já ter estourado nas rádios de todo o Brasil. A música era contra a política de controle de natalidade feita pelo regime. Nos números musicais, Inez Vianna e Alfredo Del Penho relembram as canções “Tortura de Amor” e “Uma vida só”.

Episódio: “Um Grito Pela Liberdade” - No período entre o fim do regime militar, em 1985, e a promulgação da Constituição, em 1988, a expressão artística ainda não gozava de plena liberdade. O último episódio da série segue revelando os impactos da censura na produção musical logo após o fim do regime militar. O jornalista e escritor Ricardo Alexandre explica que os primeiros anos da década de 1980 contribuíram para a criação de inúmeras bandas de rock. É chegada a vez dos jovens que cresceram em plena ditadura ganharem voz. Philippe Seabra, Eduardo Dussek e Leo Jaime contam o que pensavam e o que queriam estes moços que agora vivenciavam um processo de democratização do país. Ricardo Alexandre ressalta que, mesmo depois da declarada abertura política, o rock não esteve imune ao olhar atento dos censores, mas que as proibições acabavam por aguçar a curiosidade dos jovens e aumentavam as vendas.

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