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| Alam - A Bandeira (2022), de Firas Khoury |
Neste 30 de março, Dia da Terra Palestina, data que marca os eventos de 1976, quando uma greve geral e manifestações foram organizadas em reação ao anúncio de expropriação de terras palestinas, a FILMICCA apresenta uma seleção especial de filmes que revelam, através da arte, narrativas de resistência, identidade e memória coletiva. São produções que atravessam fronteiras e dão voz a cineastas que transformam histórias pessoais e experiências de seu povo em obras universais, sensíveis e impactantes. De dramas íntimos a documentários urgentes, a programação convida o público a conhecer a potência do cinema palestino, reconhecido e premiado em festivais internacionais.
Entre os destaques estão títulos como 3000 Noites, de Mai Masri, inspirado em fatos reais e filmado dentro de uma prisão; Alam – A Bandeira, de Firas Khoury, que retrata o despertar político da juventude palestina; além dos documentários de Mohamed Jabaly, como Ambulância e A Vida é Bela: Uma Carta para Gaza, que registram a luta diária de Gaza entre o caos da guerra e a esperança da comunicação. A seleção inclui ainda curtas de Rakan Mayasi, como Bonboné, Trombetas no Céu e A Chave, ampliando os olhares sobre a Palestina em diferentes formatos e linguagens.
Confira a lista completa:
Alam - A Bandeira (2022)
'Alam'
Palestina, França, Tunísia
Idioma: Árabe
Direção: Firas Khoury
Classificação Indicativa: 14 anos
Drama
Apesar de fazer parte de uma geração jovem de palestinos cujas famílias escolheram ficar e desafiar o Estado de Israel depois da Al-Nakba (A catástrofe), Tamer (Mahmoud Bakri) e os seus amigos são como qualquer outro grupo de adolescentes, procurando por diversão, flertar e relaxar na escola. No entanto, quando uma nova aluna chamada Maysaa’ (Sereen Khass) entra na turma, Tamer imediatamente se apaixona e, por associação, é atraído para seu ativismo político.
Juntos, fazem uma operação secreta para hastear a bandeira da Palestina e pacificamente perturbar as celebrações locais planejadas para o Dia da Independência de Israel – também conhecido pelos palestinos como um dia de luto e da lembrança do deslocamento de seu povo, 70 anos antes. Inseguro quanto às suas próprias convicções políticas, Tamer deve determinar rapidamente o que é importante para ele e que preço está disposto a pagar pela liberdade.
Um estudo inteligente do intenso despertar político que os jovens palestinos são forçados a enfrentar, ''A Bandeira'', ou ''Alam'' em árabe, é o primeiro longa-metragem do diretor Firas Khoury e foi exibido no Festival de Toronto. Seu impressionante filme de estreia aborda temas importantes e captura a luta do povo palestino através do olhar dos adolescentes.
Leila e os Lobos (1984)
'Leïla et les Loups' / 'Leila wa al ziap'
Palestina, Libano
Direção: Heiny Srour
Drama
Centralizado nas mulheres dos movimentos de resistência palestinos e libaneses de eventos reais como a revolta palestina (1936), o massacre de Deir Yassin (1948) e a Guerra Civil Libanesa (1975-1990), Leila e os Lobos (1984), da diretora Heiny Srour, narra a trajetória da estudante libanesa que dá nome ao filme vivida pela atriz Nabila Zeitoun.
Na história, Leila vive em Londres durante a década de 1980, onde organiza uma exposição fotográfica na qual as mulheres são as heroínas desconhecidas do conflito político. Através de sequências que viajam no tempo, abrangendo dos anos 1900 a 1980, ela percorre paisagens reais e imaginárias do Líbano e da Palestina.
Nascida em Beirute, no Líbano, Heiny Srour foi a primeira cineasta árabe a ter um filme selecionado para o Festival de Cannes: o documentário 'A Hora da Libertação Chegou' (1974), também disponível na FILMICCA.
3000 noites (2015)
'3000 Layla'
Palestina, Jordânia
Direção: Mai Masri
Drama
Inspirado numa história real e filmado numa prisão de verdade, 3000 Noites (2015) conta a história de uma professora palestina recém-casada que é falsamente acusada e levada para uma prisão em Israel, onde dá à luz ao seu filho.
Através da sua luta para criar a criança atrás das grades, o filme da diretora Mai Masri traça a jornada de esperança, resiliência e sobrevivência de uma jovem mãe contra todas as probabilidades.
Protagonizado por Maisa Abd Elhadi, Rakeen Saad, Karim Saleh, Alicia Sánchez e Raida Adon, o longa foi exibido originalmente no Festival Internacional de Cinema de Toronto e, posteriormente, selecionado como representante de seu país ao Oscar de melhor filme internacional.
Ambulância (2016)
'Ambulance'
Palestina, Noruega
Direção: Mohamed Jabaly
Documentário
O ano é 2014. Mohamed Jabaly sonha em fazer filmes em Gaza, apesar da falta de água, eletricidade e das fronteiras fechadas, que fazem parte do cotidiano "normal" desde o intenso bloqueio israelense que já dura 7 anos.
Em Julho do mesmo ano, Israel inicia uma nova ofensiva contra Gaza. Desde o primeiro dia do ataque, Mohamed estava presente com sua câmera, acompanhando uma equipe de paramédicos em uma ambulância, que corre para salvar vidas. Ele torna-se um membro essencial que testemunha esse perigoso e doloroso trabalho de resgate. Ambulância (2016) registra o caos angustiante em meio aos ataques do exército israelense contra inocentes civis palestinos.
''O povo de Gaza sabe como é difícil viver uma vida sob constante ataque, mas nem todas as pessoas veem os detalhes de perto. Poucas pessoas estão realmente na linha de frente, perto de tudo. Embora eu mesmo já tivesse vivido duas guerras e duas Intifadas antes, nada me preparou para a minha experiência durante a última guerra.'' Explica Mohamed Jabaly.
Minha Gaza Online (2020)
'My Gaza Online'
Palestina, Noruega
Direção: Mohamed Jabaly
Documentário
Do mesmo diretor de Ambulância (2016), o documentário Minha Gaza Online (2020) apresenta a jornada do cineasta palestino que, depois de cinco anos na Noruega, descobre que a internet é seu único meio de se conectar com seus amigos e familiares em Gaza, registrando à distância as dificuldades que eles vivem diariamente.
"Enquanto morava em Gaza, eu estava sempre na linha de frente, tentando capturar tudo ao meu redor e o que estava acontecendo. Eu queria fazer um filme sobre meus sentimentos de viver na Noruega e o desafio de encontrar novas maneiras de contar uma história de Gaza. À medida que a situação piora em Gaza, minha família e amigos têm compartilhado seus pensamentos, depressões e vislumbres da vida cotidiana online. Desta vez, usei este meio para me comunicar com meu povo em Gaza. Além de acompanhar a situação nas notícias e como as recebi de diferentes partes do mundo. Minha Gaza Online me ajudou a perceber e entender mais sobre a importância da internet e como ela pode mudar nossas vidas na forma como a usamos ou lidamos com ela.", conta o cineasta.
A Vida é Bela: Uma Carta para Gaza (2023)
’Life is Beautiful: A Letter to Gaza’
Palestina, Noruega
Direção: Mohamed Jabaly
Documentário
Três anos após o lançamento de Minha Gaza Online, o cineasta Mohamed Jabaly lançou o documentário A Vida é Bela: Uma Carta para Gaza, em 2023.
A obra volta no tempo e apresenta o diretor em uma viagem de trabalho de um mês à Noruega quando a fronteira Egito/Gaza fecha e ele não consegue voltar para casa. No filme, ele detalha sua luta de sete anos para voltar para sua família, período durante o qual realizou o filme Ambulância (2016).
Bonboné (2017)
Palestina, Líbano
Direção: Rakan Mayasi
Drama, Romance, Comédia
Em Bonboné (2017), o cineasta palestino, nascido na alemanha, Rakan Mayasi apresenta a história de uma mulher palestina que elabora um plano ousado para transformar seu encontro com seu marido detido em uma prisão israelenses em contato em uma doce troca.
Fazem parte do elenco da obra os atores Saleh Bakri, Rana Alamuddin, Nadira Omran e Ziad Bakri.
Trombetas no Céu (2021)
Líbano, Palestina, França
Direção: Rakan Mayasi
Drama
Após Bonboné, Rakan Mayasi, o curta-metragem Trombetas no Céu (2021), apresenta Boushra (Boushra Matar), uma jovem trabalhadora que colhe batatas que, ao retornar de um longo dia de trabalho no campo, descobre que sua infância chegará ao fim.
A Chave (2023)
'Al-miftah'
Palestina, França, Bélgica
Direção: Rakan Mayasi
Drama, Suspense
Rakan Mayasi volta à lista com seu curta-metragem A Chave, de 2023, que apresenta uma família israelense que entra gradualmente em desequilibrio quando um som misterioso é ouvido todas as noites na porta de seu apartamento.
Protagonizado por Saleh Bakri, George Ibrahim, Lana Haj Yahia e Nada Zoabi, a produção é uma adaptação do conto homônimo do romancista e poeta palestino Anwar Hamed.
As Mulheres Palestinas (1974)
'Les Femmes palestiniennes'
Palestina, França
Direção: Rakan Mayasi
Documentário
No curta-metragem documental As Mulheres Palestinas (1974), a diretora libanesa Jocelyne Saab dá voz às mulheres palestinas, vítimas frequentemente esquecidas da guerra Israel-Palestina.
Assim como Leila e os Lobos, a obra aponta suas lentes às jovens que se tornaram combatentes, estudantes e ativistas, mergulhando em suas vidas em acampamentos e mostrando suas lutas pessoais e políticas, além da resistência contra a opressão colonial e o desejo por uma nova sociedade.
O filme foi encomendado pela emissora Antenne 2 da França, mas foi censurado ainda durante a montagem e nunca exibido. Para uma retrospectiva da diretora em Portugal, foi produzida uma cópia restaurada pelo centro de conservação da Cinemateca Portuguesa, a mesma que é apresentada aqui.










