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| Foto: Globo/Divulgação |
Em uma viagem pelo sertão nordestino, o 'Globo Repórter' desta sexta-feira, dia 22, apresenta histórias de coragem, contradições e memória que atravessam gerações. A edição percorre cenários marcados pelo cangaço, movimento que surgiu no início do século XX e até hoje desperta interesse dentro e fora do Brasil. Com reportagens de Bianka Carvalho, o programa resgata as origens do movimento e revisita personagens que ajudam a compreender um dos capítulos mais complexos da história brasileira.
Um dos destaques da edição é o Raso da Catarina, no sertão da Bahia, região de quase 100 mil hectares de vegetação árida e espinhosa que serviu de esconderijo para bandos cangaceiros. O historiador e escritor Frederico Pernambuco de Mello explica que o fenômeno do cangaço está profundamente ligado ao imaginário sertanejo. ''É um épico à flor da pele, como um romance de cavalaria adaptado à realidade do sertão'', afirma. Segundo ele, o contexto cultural da época ajudava a legitimar práticas de vingança, frequentemente usadas como justificativa para a violência.
Embora não tenha sido o criador do cangaço, Lampião se tornou seu principal símbolo. Líder do bando mais numeroso, organizado e duradouro, ele também ficou marcado pela extrema violência. ''Se analisado dentro das circunstâncias do tempo e do lugar, ele pode ser compreendido, mas não perdoado, porque usava extrema violência, o que não há dúvidas'', ressalta o pesquisador.
A reportagem também acompanha, pelos caminhos percorridos pelos cangaceiros, aspectos pouco conhecidos do cotidiano desses grupos, como o uso de ervas medicinais da caatinga, alternativa encontrada diante da ausência de acesso à medicina formal.
Em Serra Talhada, Pernambuco, terra natal de Lampião, o programa visita a casa onde ele nasceu. O local foi adquirido pelo pesquisador Anildomá Willans e transformado em espaço de preservação histórica. No terreno, há ainda uma réplica de acampamento cangaceiro, que recebe visitantes interessados em conhecer mais sobre o tema. ''O sertanejo muitas vezes entrava no cangaço em busca de justiça e de melhores condições de vida. Temos uma história bela e importante, bem aos nossos pés e aos nossos olhos'', afirma.
A trajetória de Maria Bonita também ganha destaque. A casa onde ela viveu hoje funciona como museu, preservando a memória de Maria Gomes de Oliveira, considerada a primeira-dama do cangaço. Da relação com Lampião nasceu Expedita Ferreira, filha única do casal. Aos 94 anos, ela relembra a história dos pais e fala sobre o legado que construiu ao longo da vida, formando uma família com quatro filhos e uma neta.
A edição investiga ainda o papel das mulheres no cangaço, a rede de apoio formada pelos chamados coiteiros, responsáveis por oferecer abrigo, alimento e informações aos bandos, e curiosidades como a habilidade dos cangaceiros com costura e bordado. O pesquisador Manoel Severo destaca que Lampião permanece como um dos personagens mais biografados do país, evidenciando o fascínio contínuo pelo tema.
O 'Globo Repórter' vai ao ar nesta sexta-feira, dia 22, logo após 'Guerreiros do Sol'.
