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| Foto: Tati Ferro |
Neste domingo (24/5), Tainá Müller conversa, no Café Filosófico, com a psicanalista Priscilla Santos de Souza sobre uma questão urgente e ainda pouco debatida: os impactos do racismo na constituição do sofrimento psíquico e nos próprios fundamentos da escuta clínica. A convidada propõe uma reflexão crítica sobre como o racismo, enquanto elemento estrutural da sociedade brasileira, atravessa tanto a experiência subjetiva quanto a teoria e a prática da psicanálise. A edição inédita integra o módulo dedicado aos dilemas contemporâneos da saúde mental e vai ao ar na TV Cultura, às 20h.
Partindo da premissa de que o sofrimento psíquico é indissociável de fatores como raça, classe e gênero, o programa amplia a discussão ao questionar modelos tradicionais de diagnóstico e intervenção. Em foco, está a necessidade de uma clínica mais atenta às condições sociais e políticas que moldam os sujeitos e suas formas de sofrimento. ''O sofrimento psíquico não se produz no vazio. Ele é atravessado por marcadores sociais que definem lugares possíveis ou impossíveis para os sujeitos no laço social. Ignorar essas dimensões é também limitar a escuta clínica'', afirma Priscilla.
A especialista também destaca o potencial transformador da clínica nesse contexto: ''Se o racismo estrutura desigualdades e produz efeitos concretos na subjetividade, a clínica pode, e deve, se colocar como um espaço de elaboração, reconhecimento e produção de outras formas de existência''.
O Café Filosófico é uma parceria da TV Cultura com o Instituto CPFL. O programa é reapresentado na madrugada de terça para quarta-feira, à 1h.
Sobre a convidada
Priscilla Santos de Souza é doutora e mestre em Psicologia Clínica pela USP, com formação também em História pela Universidade Estadual de Maringá. Integra o Laboratório de Pesquisa e Extensão em Psicanálise, Sociedade e Política (PSOPOL), do Instituto de Psicologia da USP, e atua como técnica em Assuntos Educacionais na Universidade Federal do ABC (UFABC), onde participou da construção do Núcleo de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros (NEAB).
Também é tesoureira da Rede Interamericana de Pesquisa em Psicanálise e Política (REDIPPOL), desenvolvendo pesquisas voltadas às relações entre psicanálise, política e marcadores sociais da diferença.
