Brasil pode perder o lugar de maior mercado de TV paga da AL este ano, diz ABTA



Os motivos para a mudança no ranking regional são vários. Lá fora, a TV paga mexicana ganhou impulso nos últimos anos com o desligamento da TV analógica, em 2013. Aqui, a economia abalou a capacidade dos usuários de seguirem pagando mensalidades para receber conteúdo televisivo, o que levou a uma retração do setor nos últimos dois anos.

Aos olhos da ABTA, porém, o pior da retração passou. A entidade apresentou hoje, 21, em São Paulo, dados do desempenho do setor no qual aponta que o pico da queda na quantidade de assinantes foi de -0,95% em novembro de 2015. Depois daquele mês, embora as perdas continuem, diminuíram para o patamar de -0,2%, registrado em março e -0,29% em abril.

“O fundo do poço está próximo. Acredito que os números de julho vão mostrar estabilidade, o que sinaliza condições de retomada do crescimento”, diz Oscar Simões, presidente executivo da entidade – que reúne operadoras e programadoras. Os números da ABTA mostram queda da base de 4,3%, enquanto o PIB nacional caiu 5,75% entre abril de 2015 e abril de 2016.

A organização também destaca que a audiência da TV por assinatura dobrou nos últimos três anos, atingindo 2 milhões pessoas conectadas por minuto. Estaria havendo uma troca de tecnologia, uma vez que a base de usuários da DTH (por satélite) encolheu 9,3%, enquanto a do cabo e da fibra cresceram.

Economia

Simões atribui a evasão dos serviços de TV por assinatura ocorrida nos últimos dois anos aos percalços da economia. “Aqui no Brasil a gente não percebe impacto do cord cutter [pessoas que passam a assinar apenas serviços digitais on demand]. Os OTTs aparecem sempre como serviços complementares”, diz.

Uma vez que os problemas econômicos levaram a desligamentos, o aumento de impostos teve papel crucial. A entidade revelou dados mostrando que, dos oito estados com maior proporção de cancelamentos no último ano, sete elevaram a carga do ICMS.

Os estados campeões de aumento de desligamentos foram Amapá (-16,9%), Rondônia (-12,8%), Alagoas (-12,2%), Pernambuco (-11,1%), Mato Grosso (-9,9%), Roraima (-9,5%), Tocantins (-9,3%) e Goiás (-8,8%). Destes, apenas Rondônia não mexeu no imposto.

A entidade também falou que o setor não está de braços cruzados à mercê da ameaça de serviços sob demanda que chegam ao Brasil. Pelo contrário. No último ano canais e distribuidores lançaram, no país, ao menos 35 serviços de entrega de conteúdo sob demanda. “Há uma clara tendência de intensificação da oferta On Demand. O setor respondeu rapidamente à demanda do mercado”, resume Simões.

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