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Guerra entre o grupo Simba e operadoras de TV paga preocupam anunciantes


Guerra gera preocupações aos anunciantes dos emissoras. (Imagem/Reprodução)
No último sábado, dia 29, completou um mês que as operadoras de TV paga (com exceção da Vivo TV) deixaram de transmitir o sinal de SBT, Record e RedeTV. A saída dos três veículos faz parte de uma estratégia criada pela Simba Content, joint venture formada pelas três redes, que visa garantir a remuneração, por parte das operadoras, pelo fornecimento do conteúdo dos canais.

Desde antes do desligamento do sinal analógico na Grande São Paulo em 29 de março – data que marcou o rompimento da Simba Content com as operadoras – a joint venture havia dado o recado de que não iria mais oferecer o conteúdo dos canais de forma gratuita. Por outro lado, as operadoras de TV já haviam indicado, inclusive sob o consentimento da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) de que não iriam arcar com mais um custo. Nesses primeiros 30 dias, diversas reuniões e conversas entre as duas partes foram realizadas. Por mais que algumas negociações estejam bem encaminhadas – sobretudo com a Oi TV e com a Net – a realidade é que, até agora, milhões de assinantes de canais pagos continuam sem acesso ao conteúdo das três emissoras abertas.

Enquanto a questão não se resolve, anunciantes que compram mídia para veicular suas campanhas publicitárias na grade das três emissoras já começam a manifestar certa preocupação. O site Meio & Mensagem conversou com profissionais de mídia de grandes agências do mercado nacional para saber se o imbróglio entre Simba e as operadoras de TV teve algum impacto comercial – uma vez que, ao saíram da grade de Net, Sky, Claro TV e Oi, os três canais passaram a alcançar uma base menor de espectadores.

“Há uma expectativa geral, por parte dos anunciantes, de que a situação se normalize e que os três canais retornem às operadoras em breve. Mas esses clientes anunciantes já estão questionando o fato de terem comprado mídia baseados em uma audiência e, agora, o cenário ser diferente. Percebo isso tanto por parte dos clientes da minha agência, como também escuto outros colegas que atuam em outras agências do mercado, comentando sobre a mesma preocupação”, frisou o diretor geral de mídia de uma agência, que preferiu não se identificar. De acordo com o profissional, os anunciantes vêm questionando constantemente as agências acerca da questão da Simba e começam a se preocupar caso as negociações com as operadoras demorem ainda mais.

Outra profissional de mídia consultada pela reportagem também confirmou o receio existente por parte dos anunciantes. Segundo ela, responsável pela compra de mídia de uma grande marca de varejo, a preocupação desse setor é maior, por conta do maior volume das negociações. De acordo com essa diretora, as marcas de varejo, que fazem inserções diárias na TV, já começam a questionar o preço cobrado pelos três canais para as inserções publicitárias.

Entrega de mídia

Esses profissionais consultados pela reportagem destacam, no entanto, que apesar do receio dos anunciantes em relação à situação dos três canais, ainda não há uma pressão para que Record, SBT e RedeTV revejam suas tabelas de preços. Como a maior parte do anunciantes formaliza contratos de mídia de longo prazo com os veículos (com veiculação que compreende períodos de três meses, seis meses ou até mesmo um ano), esses 30 dias de alcance de um público um pouco menor ainda não teria feito tanta diferença.

O diretor-geral de mídia ouvido pela reportagem também revelou que, em alguns casos, as emissoras já vêm oferecendo compensações por conta da ausência na grade das operadoras. “Os veículos estão ampliando a entrega de mídia para aumentar a presença dos anunciantes na grade e, com isso, atingir um número maior de pessoas”, conta. No mercado publicitário, de maneira geral, existe a expectativa de que, em breve, o sinal dos três canais retornará às operadoras.

A reportagem procurou a Simba Content para questionar sobre as políticas comerciais entre as emissoras e os anunciantes nesse período de negociações, mas ainda não obteve retorno. Recentemente, a joint venture informou que está bem próxima de anunciar o acerto com algumas operadoras de TV, necessitando, para isso, resolver apenas questões de preço. A única operadora que se recusou, até o momento, a ouvir a proposta da Simba, segundo a própria joint-venture, é a Sky.

Nos últimos dias, a reportagem também apurou que a Simba Content começa a planejar a construção de novos canais que, junto com as três emissoras abertas, devem compor os pacotes oferecidos às operadoras. Entre as ideias inicias estão a criação de uma emissora dedicada apenas a documentários, um canal de variedades e, ainda, um canal apenas para veicular episódios dos seriados de comédia mexicanos Chaves e Chapolin.

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