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Caminhos da Reportagem vasculha acervo da obra de Villa-Lobos

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Divulgação TV Brasil
Para recordar os 60 anos da morte do maestro Heitor Villa-Lobos, um dos maiores nomes da música brasileira, o programa Caminhos da Reportagem apresenta uma edição especial em homenagem ao célebre artista nesta terça (26), às 21h30, na TV Brasil. O conteúdo pode ser acompanhado no aplicativo EBC Play.

O compositor, maestro, violoncelista, pianista e violonista Villa-Lobos produziu cerca de mil obras ao longo de sua vida. Hoje, grande parte do seu trabalho está no museu que leva seu nome, no Rio de Janeiro, cidade onde nasceu e viveu grande parte de sua vida.

Passando por diversas vertentes musicais, Villa-Lobos foi e ainda é considerado por muitos o maior músico erudito brasileiro. O maestro, que conquistou o Brasil e o mundo, foi além com sua obra.

A cantora Zizi Possi é uma das que se renderam aos encantos do compositor ainda nos anos 1990, quando gravou a canção "Melodia Sentimental". Para ela, a obra de Villa-Lobos é muito especial. "Eu acho que a 'Melodia Sentimental' é uma melodia que tem um jeitão popular. É uma música que fica na cabeça. Dá aquela impressão de que a gente sempre conheceu essa música".

Para o violonista Turíbio Santos, o homenageado é único. "Acha que foi uma fadinha que jogou pó de pirlimpimpim? Não, foi Heitor Villa-Lobos que musicalizou nosso país", avalia o experiente artista nessa edição do programa com reportagem de Aline Beckstein que também entrevista personalidades como o violoncelista Jaques Morelenbaum.

A produção jornalística da emissora pública mostra algumas das raridades do Museu Villa-Lobos. "No nosso acervo nós temos manuscritos originais e também rascunhos que Villa-Lobos costumava chamar de monstros que ele utilizava pra construir suas ideias musicais e realizar suas obras", destaca Claudia Castro, atual diretora da entidade.

Localizado num casarão do século XIX, no espaço também estão alguns objetos raros, como o piano que ele usava para compor em sua residência. Marcelo Rodolpho, consultor musical do museu, ressalta que o "local acabou se tornando a grande referência no mundo inteiro da obra de Villa-Lobos".

Filmes e fotografias se juntam a imensa coleção que estará disponível ao público, a partir do ano que vem, por meio digital. O trabalho, fruto de uma longa pesquisa que teve início ainda na década de 1990, será mostrado no Caminhos da Reportagem.

Resgate de partituras originais e sinfonias

No Museu Villa-Lobos também estão as primeiras partituras originais, manuscritas. Grande parte é de difícil leitura e nunca foi revisada. Uma parte delas está no acervo da Academia Brasileira de Música e, até pouco tempo, ainda eram desconhecidas do grande público, como as sinfonias.

Com o objetivo de manter viva a obra de Villa-Lobos para as gerações atuais e futuras, o maestro Isaac Karabtchevsky, em parceria com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a OSESP, e com a Academia Brasileira de Música, iniciou um minucioso trabalho de revisão e editoração destas sinfonias.

"Muitos de nós jamais tínhamos ouvido a maioria delas. Nunca tinham sido tocadas", explica Arthur Nestrovski, diretor artístico da OSESP, para a equipe do programa investigativo da TV Brasil. 

Esse projeto de recuperação durou sete anos e traz uma peculiaridade. Villa-Lobos compôs 12 sinfonias, mas a de número 05, que teria sido composta por ele nos anos 1940, nunca foi encontrada. Um sumiço que até hoje permanece como mistério.

Para o maestro Isaac Karabtchevsky a sinfonia 05 nunca existiu. "Procuramos por todas as partes, inclusive com nossos amigos mais íntimos e ligados pessoalmente a Villa-Lobos. Nunca aconteceu de termos acesso a qualquer manuscrito ou embrião do que poderia ter sido essa sinfonia".