Desafios de produção e investigação de ''Flordelis'', docussérie Original Globoplay

Divulgação

''Flordelis: Questiona ou Adora'', docussérie Original Globoplay, é uma história de true crime que mergulha nos rumos das investigações, nos meandros de uma família e nos bastidores por trás do crime que impressionou o país em 2019. Com roteiro e direção de Mariana Jaspe e produção de Gustavo Mello (Boutique Filmes), com coprodução Globoplay, a pesquisa da obra foi realizada em parceria com o Jornal O Globo, representado pelos jornalistas Carolina Heringer, repórter da editoria Rio e Thiago Prado, editor de política do jornal.   
   
Com seis episódios, dos quais dois já estão disponíveis no Globoplay, a série tem um roteiro construído a partir de uma pesquisa extensa sobre o passado de Flordelis e Anderson do Carmo, além de entrevistas com pessoas que conviveram e investigaram a vida dos dois. “Desde sempre a ideia foi construir uma narrativa fidedigna à trajetória da família e, ao mesmo tempo, ouvir os principais lados da história. Não quis criar uma teoria, mas sim dar elementos para o público pensar e montar seu próprio quebra-cabeça”, conta Mariana Jaspe. “O caso é complexo, intrigante, repleto de reviravoltas, intrigas e revelações periciais. Ao revisitar a história da família de Flordelis, nós levamos para a audiência um retrato íntimo desses personagens, suas fragilidades e segredos”, completa Gustavo Mello.
 
Para a jornalista Carolina Heringer, o maior desafio de apuração foi entender os personagens envolvidos e a dinâmica de uma família tão complexa e numerosa. “Era fundamental acompanhar cada desdobramento, porque sempre era preciso contextualizar com todos os acontecimentos pretéritos, comportamento daquele personagem até aquele momento, demonstrando possíveis contradições e mudanças de posicionamento”, comenta.   
   
São seis episódios, sendo lançados dois a cada sexta-feira. 

O crime 
O ano era 2019. A rotina intensa de Flordelis era tomada por seus compromissos como deputada federal, cantora gospel de sucesso, pastora de sua igreja ‘Ministério Flordelis’ e seus 55 filhos. Toda a organização de sua rotina múltipla só era possível graças ao trabalho de
Anderson do Carmo, que além de marido, era o seu grande articulador na política e na vida.    

Em 16 de junho de 2019, após retornarem de uma noite romântica, Anderson é morto a tiros na casa da família. Flordelis, então, afirma que seu marido havia sido vítima de latrocínio. A investigação,  por sua vez, revela informações impressionantes, que são detalhadas ao longo da
docussérie. 
  
Podcast   

Além da docussérie no Globoplay, também estará disponível no Globoplay e em todas as plataformas de áudio o podcast “Flordelis: Questiona ou Adora”. Apresentado por Leandro Neko e Jeska Grecco, hosts do Diário de Bordo, o programa traz uma análise de tudo o que acontece na docussérie, além de novos detalhes dos bastidores.
 
Entrevista com Mariana Jaspe   
   
1) Quando especificamente começou a se dedicar ao tema? Qual foi o pontapé inicial? Quanto tempo durou a sua investigação?   
Minha imersão no tema começou no dia 17 de junho de 2019, quando assisti a uma entrevista de Flordelis logo após o crime. Naquele momento, senti que havia ali algo de sui generis, algo por trás da superfície daquela história, daquela família, que poderia se revelar a partir da ruptura que o crime trouxe. São três anos de trabalho que perdura até hoje, afinal estamos caminhando em paralelo à história. A investigação segue em aberto, há um terceiro inquérito em andamento, por exemplo... Ainda não acabou.   
   
2) Quais são os principais desafios de direção/criação em uma docussérie como essa? Como foi a parceria com O Globo? 
Meu grande desejo foi ouvir os principais lados da história, não criar uma teoria minha, mas dar elementos para o público pensar e montar seu próprio quebra-cabeça. Me debrucei sobre o passado da família, dedicando-me a encontrar histórias e personagens instigantes que fizeram parte dessa trajetória, enquanto a Carol trouxe todo o entendimento de quem vem acompanhando a investigação desde o dia seguinte ao crime, conhece todos os meandros do processo, as várias vertentes dentro da família e as peças-chave da investigação policial.
   
3) Além de se informar ainda mais sobre o caso, por que vale a pena assistir a série?   
Essa a história de uma tragédia brasileira: uma história dramática, de paixões, tensão permanente e um final infeliz. Para além do nosso mergulho na investigação do crime, a série trata dos meandros dessa família em uma linha do tempo que perdurou por trinta anos. Como tudo isso começou? De onde essas pessoas vêm? Por onde elas passaram? O que elas queriam lá no início? Como elas chegaram até aqui? São perguntas que tentamos responder ao longo dos seis episódios.
     
Entrevista com Carolina Heringer   
 
1) Quando começou a sua apuração e quanto tempo durou?   
Minha apuração começou no dia seguinte ao crime, que foi quando entrei na cobertura do caso pelos jornais O Globo e Extra, onde trabalho. Desde então, acompanho todos os desdobramentos desse caso. Posso dizer que essa apuração jamais acabou, pois o caso continua em andamento. É uma história viva, ainda em construção, que continuo acompanhando. 
   
2) Há uma complexidade de investigação envolvendo o caso Flordelis, com reviravoltas, revelações e versões conflitantes. Quais foram os principais desafios de uma apuração jornalística como essa?   
Acho que o maior desafio foi entender os personagens envolvidos e a dinâmica de uma família tão complexa e numerosa. Esse foi um dos meus primeiros passos ao começar a investigar o caso - entender os personagens. E era fundamental acompanhar cada desdobramento, porque sempre era preciso contextualizar com todos os acontecimentos pretéritos, comportamento daquele personagem até aquele momento, demonstrando possíveis contradições e mudanças de posicionamento.   
   
3) Em relação à série, algum momento que ficou especialmente marcado para você? 
Quando nós conseguimos que filhas e neta que permaneceram do lado da Flordelis aceitassem gravar conosco. Nós nunca tivemos interesse de contar apenas um lado dessa história. Queríamos mostrar diferentes perspectivas. Isso era fundamental para que tivéssemos um documentário rico e que contasse bem esta história. 
     
Entrevista com Gustavo Mello   
 
1) Durante as gravações, teve algum momento que ficou especialmente marcado para você?   
Durante a produção de um documentário precisamos constantemente lembrar que estamos lidando com pessoas e histórias reais. E é quase impossível no processo não nos depararmos com momentos sensíveis. E, um dos mais marcantes foi quando compreendemos o real impacto que essa tragédia segue tendo na vida dos envolvidos. Tanto do lado da família do Anderson, que foi totalmente acometida por uma sucessão de eventos trágicos, quanto dos filhos e netos de Flordelis que tiveram suas intimidades expostas e agora buscam reconstruir e se adaptar nessa nova realidade.   
   
2) Além de se informar ainda mais sobre o caso, por que vale a pena assistir a série?   
O caso é complexo, intrigante, repleto de reviravoltas, intrigas e revelações periciais. Isso por si só já garante um documentário true-crime poderoso. Mas nossa série não se limita a relatar o caso. Ao revisitar a história da família de Flordelis, nós levamos para a audiência um retrato íntimo desses personagens, suas fragilidades e segredos.   
   
3) O gênero true crime é uma tendência. Em sua opinião, qual é a importância de séries que abordem crimes reais?   
As séries true crime são instrumentos poderosos que ajudam a compreender nossa sociedade e a nós mesmos. As relações tóxicas de poder, os conflitos familiares violentos, os abusos que permeiam relações íntimas, a impotência dos personagens em lidar com suas sombras, as perversões e a maldade. Cada história é única ao desvelar esses temas. Por isso é fonte inesgotável de produções audiovisuais. Visitar essas histórias é visitar nossa própria existência, com a mitologia e arquétipos humanos.

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